Casa da Esperança criada por mães ajuda mais de 400 autistas

Fátima Dourado - Foto: arquivo pessoal
Fátima Dourado - Foto: arquivo pessoal

Uma ideia que nasceu pequena, de uma mãe de filhos autistas, hoje atende e ajuda mais de 400 crianças e adultos com autismo em Fortaleza, no Ceará.

É a Casa da Esperança, que há 27 anos oferece serviços de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, fisioterapia, enfermagem, assistência social, psiquiatria e pediatria a pessoas diagnosticadas com com Transtornos do Espectro Autista (TEA). Hoje a casa funciona 160 profissionais.

“Para nossa alegria, a genética e a neurociência social aplicada apontam perspectivas promissoras nessa luta. Já não estamos sozinhos. Rompemos o autismo social”, disse Fátima Dourado, a mãe que deu início ao projeto.

Os Caçadores de Bons Exemplos, Iara e Eduardo, foram até lá pra conhecer e ficaram encantados.

“Quando uma semente é plantada, não dá para prever se ela vai germinar, se dela vai brotar uma planta grande, pequena ou se não vai dar frutos. Se planta sempre confiando que ela vai se tornar o que de fato tem que ser”, afirmam Iara e Eduardo.

O começo

Em 1993, Fátima Dourado, com 4 dos seus 6 filhos já nascidos, era mãe de duas crianças autistas e enfrentava diariamente a batalha de criá-las em um mundo que não estava preparado para recebê-las.

Não existiam escolas ou professores preparados para elas, não havia espaços que fossem capazes de acolhê-las e as pessoas – mães, pais, colegas – também não sabiam muito bem como agir.

De todas as instituições de ensino da cidade, só uma aceitava crianças autistas e, mesmo assim, não eram todos os quadros e níveis que eram bem-vindos.

Quando um dos filhos dela, com 13 anos, foi convidado a buscar outro lugar para estudar, o mundo de Fátima se transformou.

A mãe que sempre sentiu na pele a dor do filho que não era amparado e que, muitas vezes, era tratado como um incapaz e sem direito a educação, decidiu que era hora de fazer mais pelas crianças e famílias que passavam por ali todos os dias.

A criação

Junto com mais 8 mães de crianças autistas, Fátima começou então o trabalho da Casa da Esperança.

No início elas tinham apenas uma pequena parceria com o poder público e montaram uma equipe multiprofissional que usava da técnica, da medicina e do amor das mães para desenvolver e cuidar das crianças.

Quando o trabalho completou 10 anos, muita coisa tinha sido construída.

Uma bela sede e uma grande equipe de profissionais faziam da instituição uma grande referência no Brasil e no mundo quando assunto é autismo.

“O desejo de uma mãe é poderoso a ponto de mudar o mundo de verdade. A quantidade de vidas ajudadas, transformadas e colhidas pela Casa da Esperança é resultado da inquietação de mães, que só queriam um mundo mais justo e preparado para seus filhos. É incrível ver o poder do amor quando convertido em ações!”, afirmam os Caçadores de Bons Exemplos.

Internacional

O trabalho deles começou a acolher gente de todo o país e até gente de outros países, já que os resultados dos tratamentos eram bastante significativos.

Mas, apesar disso, nem todo mundo respondia da mesma maneira e isso fez com que a Casa da Esperança se credenciasse ao SUS, o que deu a eles suporte financeiro para desenvolver novas pesquisas.

Esse passo abriu novas portas e atraiu gente como Ami Klin, então coordenador do programa de autismo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Atualmente, atende mais de 400 pessoas com autismo em regime intensivo, de quatro ou oito horas por dia, e realiza mais de mil procedimentos ambulatoriais diariamente, além de trabalhar com produção e difusão de conhecimento por meio da distribuição de livros e cartilhas, palestras nas escolas e congressos, aqui e no exterior.

A luta é em defesa da neurodiversidade e dos direitos humanos das pessoas com autismo.

“A Casa da Esperança é minha grande razão de viver. Hoje sei que nasci para isso. É o trabalho da minha vida, mas não é trabalho para uma vida apenas, e sim para muitas, bem mais importantes e nobres que a minha. Vidas que se consagram à tarefa de construir, a cada dia, pontes transitáveis e seguras entre pessoas autistas e não autistas”, concluiu Fátima Dourado.


Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa – com Caçadores de Bons Exemplos