Filho se reencontra com a mãe biológica após 30 anos: emoção

O jornalista Rodolpho Rafael finalmente se reencontrou com a mãe biológica, após 30 anos. O esperado abraço entre ele e dona Edileuza Fernandes foi nesta quarta, 20, em Ubatuba, Litoral Norte de São Paulo.
“É uma mistura de sentimentos. Eu estava muito nervoso, mas a sensação é o medo do novo, a apreensão de como seria, mas é uma sensação muito boa, depois do abraço. A espera do abraço por parte da minha mãe durou 30 anos”, disse Rodolpho.2Dona Edileuza também se emocionou.
“A sensação é de muita felicidade por ter encontrado com ele, um frio na barriga, coração acelerado, chorei e finalmente chega a hora de ficar ao lado dele. Estou muito feliz com tudo isso. Voltei no tempo, é como se tivesse ele nos braços de novo“, disse a mãe.
Rodolpho rodou mais de 2.500 km para reencontrar a mãe. Ele saiu do município de Esperança, na Paraíba, onde foi criado pela família que o adotou.
O único fio de esperança que Rodolpho tinha para achar dona Edileuza era uma carta, que deu início a uma longa investigação do jornalista.
A história
Rodolpho foi separado à força da mãe biológica.
Ela foi obrigada a doar a criança para adoção porque ficou grávida aos 20 anos, apanhava do namorado para perder o bebê e ainda tinha o pai dela, que não aceitava gravidez antes do casamento “por envergonhar a família”.
Então, ela entregou o menino a um grupo de mulheres que cuidava de crianças órfãs onde ela morava. Elas colocaram a criança numa cesta e deixaram na porta de um casal, dias antes do Natal, com uma carta que dizia:
“Boa noite, estou invadindo sua casa para lhe pedir que me acolha. Não tenho pai e nem mãe, por isso escolhi vocês para serem os meus, pois sei que vocês são carentes de carinho e eu também o sou. Não escolhi dia, nem mês para nascer, mas por força do destino, nasci faltando 8 dias para o Natal e escolhi logo vocês para este presente maravilhoso. Como o menino Deus que não tinha onde nascer, e todas as portas se fecharam, espero que as portas do seu coração não se fechem para mim. Seremos uma família muito feliz! Quero te chamar mamãe e papai. Não tenho nome e nem sou registrado, me faça cristão como vocês. Deus te abençoe.” Ass. Seu Presente de Natal.
Pais adotivos
O garoto foi criado com amor e carinho pelos pais adotivos, Antônio Rafael e Maria do Carmo.
“Desde criança, soube que era filho do coração e meus pais sempre me ensinaram a não ter raiva da pessoa que me teve, pois com toda certeza se ela havia me dado existia uma história muito triste por traz dessa carta”, disse o jornalista.
Com o consentimento da família, Rodolpho começou a investigar a carta, até descobrir a mãe biológica no final do ano passado, em plena pandemia.
Graças ao grupo de senhoras onde foi entregue, ele conseguiu encontrar um casal que tinha uma babá que ficou grávida na época em que Rodolpho nasceu. O casal tinha no álbum da família uma foto de Edileuza grávida, o que ajudou nas buscas.
Rodolpho postou a foto na internet. Em seguida apareceu um primo que mora em São Paulo. Depois ele fez contato com uma tia e finalmente chegou à mãe.
Matar a saudade
Além de Rodolpho, Edileuza tem outros três filhos. Ela disse que por todo esse tempo também procurou o filho, mas não conseguiu.
“Lutei muito, muito por esse momento. Eu só tenho a agradecer a Deus e a essa família maravilhosa que colocou na sua vida, que o fez um grande homem. Quantas noites de sono eu perdi, pensando a noite inteira como eu ia te achar, mas Deus é tão fiel que hoje foi o dia. Eu nunca deixei de amar o meu filho“, contou Dona Edileusa.
Rodolpho vai ficar menos de uma semana com a mãe, antes de voltar para a Paraíba.
Ele afirmou que não tem mágoas.
“É viver o hoje, o que passou, passou e nós temos uma oportunidade de fechar um ciclo e começar uma nova história”, concluiu Rodolpho.
Assista ao vídeo que ele gravou junto com a mãe:
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Com informações do RPA

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