Sonho de “menino bonzinho” hoje transforma vidas em comunidade do RN

1859
Casa do Bem, em Natal - Foto: reprodução / Instagram
Casa do Bem, em Natal - Foto: reprodução / Instagram

Quando o desejo de ajudar é verdadeiro, as coisas se encaminham. Os caminhos se abrem! Foi o que aconteceu com o sonho do Flávio Rezende, conhecido na época como o “menino bonzinho”.

Desde pequeno ele sempre gostou de ajudar as pessoas, mas foi depois de uma viagem à Índia que Fávio compreendeu o que poderia fazer aqui no Brasil para melhorar a vida das pessoas.

“Venho de uma família de seis irmãos e, desde pequeno, sempre gostei de ajudar sem que me pedissem. Quando tive o meu dinheiro, organizei um jornal alternativo, fiz pulseira e pirâmide, era meio hippie; então decidi ir para a Índia. Lá conheci um trabalho social muito grande e me encantei. Ao voltar para Natal-RN, resolvi morar em um bairro que era considerado muito violento, o Mãe Luiza. Foi a primeira favela da cidade. Todo mundo achou uma loucura, mas eu estava decidido. E ali minha vida se transformou!”, afirma Flávio Rezende, fundador da Casa do Bem.

Depois da decisão e da mudança, as coisas começaram a acontecer. O “menino bonzinho” ganhou fama no bairro e se tornou referência de apoio e confiança para a comunidade.

“É muito interessante ver o quanto o movimento de uma pessoa consegue ser incentivo para a criação de um trabalho de transformação comunitário. Flávio começou, as pessoas abraçaram e o resultado se multiplicou”, afirmam Iara e Eduardo, os Caçadores de Bons Exemplos.

Sem política, nem religião

O desejo de mudança era da própria comunidade. Alguns pediam ajuda, outros queriam ajudar.

“Quando você faz o bem sem pregar religião nem pedir voto político, as pessoas acabam querendo retribuir de alguma maneira, e o que eles me davam em troca era amor e carinho. E esse tipo de pagamento transforma sua vida toda!”, completa Flávio.

De repente, um bailarino queria dar aulas de balé. Depois veio a escola de futebol, o projeto de surfe. E aí o sonho de ter um espaço próprio chegou. A compra de uma sede era complicada sem que o trabalho fosse regularizado como uma ONG e, por isso, esse foi o próximo passo.

“Eu não queria mexer com isso, detestava burocracia, documentação, etc. Ele conversou muito comigo e se dispôs a cuidar de toda a papelada; me daria uma ONG de presente”, lembra o fundador.

Assim, em agosto de 2005, nascia oficialmente a Casa do Bem e com isso a necessidade de se ter uma sede ficou ainda maior.

Corrente do bem

Para levantar esse dinheiro, Flávio decidiu fazer o Livro do Bem, com textos e imagens que despertam bons sentimentos e pensamentos; e um resumo dos projetos que já desenvolveram.

No dia do lançamento, um grande empresário da cidade disse que além de comprar o livro, cederia o terreno vizinho a sua casa. A sede foi conquistada.

“Hoje oferecemos várias atividades: escolinha de futebol, balé, taekwondo e karatê. Alfabetização de crianças e adultos, música. E ainda distribuímos alimentos e sopão. Inserimos as pessoas em ambientes culturais da cidade, levando-as a shows, teatros, etc. É tudo uma questão de equilíbrio; queremos que todos possam ter acesso. Doar o que temos e multiplicar, é o caminho! Simples assim”, encerra Flávio.

Conheça mais sobre o projeto no site, Facebook e Instagram.

Flavio Rezende, fundador da Casa do Bem - Foto: reprodução / Instagram
Flavio Rezende, fundador da Casa do Bem – Foto: reprodução / Instagram

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do Só Notícia Boa – com Caçadores de Bons Exemplos