Agricultor cadeirante se torna referência em hidroponia

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Agricultor cadeirante é referência em Goiás com cultivo de alface sem uso do solo - Foto: arquivo pessoal
Agricultor cadeirante é referência em Goiás com cultivo de alface sem uso do solo - Foto: arquivo pessoal

O agricultor cadeirante Paulo Rodrigues Alves hoje é um reconhecido produtor de alface, mas já passou por muitas dificuldades na vida. Ele enfrentou a perda do movimento das pernas, dificuldade de aprendizado devido à dislexia e agora se tornou uma referência em hidroponia, que é o cultivo de plantas na água, sem uso do solo.

“Quando perguntam, eu falo: ‘Eu não sou deficiente, eu sou eficiente’. Tenho minhas limitações, como todo homem e toda mulher têm”, disse Paulo, que tem 57 anos e vive na cidade de Nazário, em Goiás.

Ele é um exemplo de inspiração e conta que, ao encarar a cadeira de rodas, só tem medo da piedade alheia.

História de resistência

Paulo foi trabalhar com apenas 8 anos para ajudar no sustento de casa. O pai teve um infarto fulminante e ele se viu sozinho com a mãe, que era costureira.

Na época, ele aceitou o convite de um tio para trabalhar na roça de arroz plantada às margens de uma rodovia. “Todo trabalho que eu fazia a gente depositava”, recorda.

Aos 18, Paulo comprou a primeira caminhonete, que incendiou pouco tempo depois. “Queimou toda e aí eu fiquei sem dinheiro, porque tudo o que eu tinha foi para comprar a caminhonete”.

Uma nova oportunidade surgiu quando se tornou sócio de um primo. Eles produziam queijo.

A parceria durou 13 anos, quando ele resolveu que queria ter o próprio negócio. E então abriu uma fábrica e ficava responsável pelas entregas.

Acidente

Foi justamente em uma das entregas da fábrica de queijos que Paulo sofreu um acidente. “A fratura da minha coluna foi porque eu segurei o peso do impacto nas pernas e a minha coluna comprimiu e esmagou minhas pernas. Eu estava sem cinto”, recorda.

Mas Paulo conta que nunca se deixou abater: “Quando as pessoas chegavam para me visitar, me encontravam sorrindo e pensando positivo”.

Após descobrir as sequelas do acidente, o agricultor teve uma preocupação: “Eu senti medo das pessoas sentirem dó, dos outros me julgarem como um inválido. Eu não queria ser um inválido”.

Novos planos

Após o acidente, Paulo abriu uma sorveteria, que foi o sustento da família por alguns anos. Com essa sorveteria eu construí a minha casa, dei estudo aos meus filhos”, diz.

Foi nesse tempo que ele conheceu um agricultor da cidade, que trabalhava com plantio convencional de alface. Um dia esse homem pediu para que ele pesquisasse sobre hidroponia e o ajudasse na lavoura.

“Aí eu fiz a pesquisa, fiz um curso pela internet e fiz o projeto para ele e entreguei na mão dele, e ele falou pra mim ‘ah, não estou acreditando nesse trem’. Eu, com o projeto na mão, com espaço no meu quintal, decidi montar uma hidroponia para ver se dava certo, a princípio para consumo da família”, conta Paulo.

Hoje Paulo tem uma produção de 4 mil pés de alface. Além da hortaliça, ele agora cultiva cheiro-verde, laranja, mexerica, abacate, uva, entre outros produtos.

Ele se tornou uma referência em todo o estado e já comprou uma chácara apenas para o cultivo. A meta do agricultor é expandir o terreno e distribuir os produtos orgânicos para outras regiões!

Paulo distribui alface na cidade - Foto: arquivo pessoal
Paulo distribui alface na cidade – Foto: arquivo pessoal
Sistema hidropônico - Foto: arquivo pessoal
Sistema hidropônico – Foto: arquivo pessoal
Paulo produz 4 mil alfaces - Foto: arquivo pessoal
Paulo produz 4 mil alfaces – Foto: arquivo pessoal

Com informações de Plantão dos Lagos