Jovem cego impedido de estudar funda empresa e fatura R$ 340 milhões

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Por Monique de Carvalho
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Srikanth Bolla foi proibido de estudar porque é cego. Ele conquistou o direito na justiça e hoje é dono de uma empresa avaliada em R$ 340 milhões - Foto: reprodução

Uma reviravolta e tanto na vida do jovem Srikanth Bolla, de 31 anos. Ele nasceu cego, sofria preconceitos na cidade onde morava e chegou a ser impedido de estudar porque não enxergava.

E foi lutando contra tudo isso que Srikanth venceu…e muito! Ele conseguiu na justiça o direito de se matricular na universidade e agora tem uma empresa avaliada em US$ 65 milhões – aproximadamente R$ 340 milhões!

Hoje Srikanth é referência e, inclusive, será enredo para um filme produzido pela Bollywood, a indústria cinematográfica da Índia. Não é lindo de se ver?

Tempos difíceis

Srikanth lembra que todos os dias, ao longo de dois anos, ele caminhava diversos quilômetros até a escola, na zona rural da Índia.

O percurso era feito com o irmão mais velho e alguns colegas de classe. O jovem lembra que a caminhada não era nada fácil para ele porque tinha muita lama e a rua era cheia de arbustos. Além disso, quando chovia, o caminho ficava inundado.

E, dos seis aos oito anos, Srikanth fazia esse trajeto sozinho: “Ninguém conversava comigo porque eu era uma criança cega”, lembra.

Outro momento difícil para ele, foi descobrir que os pais foram orientados a matá-lo quando era bebê.

“Disseram aos meus pais que eu não podia nem vigiar minha própria casa porque não conseguiria ver, caso entrasse um cachorro de rua. Muitas pessoas disseram que eles deveriam me matar com um travesseiro”, lembrou.

Mas os pais do jovem se recusaram a abandoná-lo e, com apoio deles, ele se tornou a pessoa próspera que é hoje

Novos desafios

A mudança na vida de Srikanth começou quando ele fez 8 anos e conseguiu uma vaga em um internato para crianças cegas em uma outra cidade.

Mesmo morando longe dos pais, Srikanth estava animado e se adaptou rapidamente. E foi no internato que Srikanth começou a planejar um futuro.

Como sonhava em ser engenheiro, o jovem queria estudar mais ciências e matemática. E então veio um novo desafio.

“Ilegal estudar” 

Ao procurar uma escola estadual para se especializar nas disciplinas, Srikanth teve a vaga negada. A instituição alegou que seria ilegal para ele cursar matemática e ciências.

A escola disse não tinha permissão para ensinar ciências e matemática a alunos cegos, porque isso era considerado um desafio muito grande devido aos elementos visuais envolvidos no estudo das disciplinas, como diagramas e gráficos.

Em vez disso, alunos cegos estudavam artes, línguas, literatura e ciências sociais.

Conseguiu mudança na lei

Com a ajuda de um professor, ele entrou na justiça, solicitando uma mudança na lei educacional para permitir que alunos cegos estudassem matemática e ciências.

Em 2007 ele recebeu um convite para cursar as disciplinas em outra instituição. Srikanth ficou feliz e se inscreveu. Ele era o único aluno cego da turma, mas diz que foi recebido “de braços abertos”.

“Minha professora foi muito bacana. Ela fez todo o possível para me ajudar. Ela aprendeu a desenhar diagramas táteis”, diz ele.

O processo de Srikanth para a outra escola não parou e a justiça da Índia determinou que todas as escolas deveriam criar disciplinas adaptadas para alunos cegos.

“Eu tive a primeira oportunidade de mostrar ao mundo que eu poderia fazer isso [estudar as disciplinas], e a geração mais jovem não precisaria se preocupar em entrar com processos e lutar na Justiça”, diz ele.

Mudança de país e novas perspectivas

Como obteve média de 98% em todos os exames, Srikanth conseguiu uma vaga no MIT (Massachusetts Institute of Technology), onde se tornou o primeiro estudante cego internacional.

“O tempo no MIT foi o período mais bonito da minha vida”, diz ele.

Ajudar outras crianças

Para ajudar outras crianças indianas, Srikanth fundou o Centro Samanvai para Crianças com Múltiplas Deficiências. Com o dinheiro que arrecadou, abriu também uma biblioteca em braile.

Após a faculdade, mesmo com várias ofertas de emprego nos Estados Unidos, o jovem decidiu que voltaria para a Índia. Ele queria abrir a própria empresa e gerar oportunidades para pessoas com deficiência no país dele.

Em 2012, ele fundou a Bollant Industries. A empresa fabrica produtos ecologicamente corretos, como embalagens de papelão ondulado, a partir de folhas caídas das palmeiras de jardim e está avaliada em US$ 65 milhões.

No ano passado, Srikanth entrou na lista de Jovens Líderes Globais 2021 do Fórum Econômico Mundial.

A importância de lutar

Sobre o filme, Srikanth acha que isso pode ajudar as pessoas do país dele a entenderem que algumas lutas são importantes.

“No começo, as pessoas pensam: ‘oh, ele é cego… tão triste’, mas no momento em que começo a explicar quem sou e o que faço, tudo muda”, concluiu.

História incrível, não é mesmo?

Srikanth ajuda jovens cegos em uma ONG na Índia - Foto: arquivo pessoal

Srikanth ajuda jovens cegos em uma ONG na Índia – Foto: arquivo pessoal

Srikanth fundou uma empresa para pessoas com deficiência - Foto: reprodução

Srikanth fundou uma empresa para pessoas com deficiência – Foto: reprodução

Com informações de Estado de Minas