Alzheimer: ômega-3 melhora memória e saúde do cérebro, descobrem cientistas

O consumo de ômega-3 é muito comum para o controle do colesterol e glicemia, mas um estudo da Academia Norte-Americana de Neurologia, descobriu que esta gordura boa também traz muitos benefícios para a memória e a saúde do cérebro.
A ingestão de ácidos graxos ômega-3, encontrados, por exemplo, em peixes de água fria, oleoginosas e folhas escuras, está associada a uma melhor estrutura cerebral e a um incremento da função cognitiva, principalmente em pessoas de 40 a 50 anos.
Portadores de APOE4 – uma variação ligada ao maior risco de doença de Alzheimer – com concentrações mais altas do ácido graxo têm menos incidência da doença. Esse gene também está implicado em doenças cardiovasculares e demência vascular.
O estudo descobriu que uma maior concentração de ômega-3 foi associada a volumes mais expressivos do hipocampo, uma estrutura do cérebro que desempenha um papel importante na aprendizagem e na memória.
Também foi identificado que consumir mais alimentos com a substância resulta em um melhor raciocínio abstrato ou à capacidade de entender conceitos complexos usando o pensamento lógico.
Ajuda a proteger do Alzheimer
Os cientistas estudaram a relação das concentrações de ácidos graxos ômega-3 nos glóbulos vermelhos com ressonância magnética e marcadores cognitivos do envelhecimento cerebral.
Segundo os especialistas, o consumo de ômega-3 desde a juventude ajuda a proteger o cérebro de inúmeras doenças, como o Alzheimer, que aparecem já na meia-idade.
“Estudos anteriores analisaram essa associação em populações mais velhas. A nova contribuição aqui é que, mesmo em idades mais jovens, se você tem uma dieta que inclui alguns ácidos graxos ômega-3, já está protegendo seu cérebro para a maioria dos indicadores de envelhecimento cerebral que vemos na meia-idade”, disse Claudia L. Satizabal, principal autora do estudo.
A idade média dos voluntários foi de 46 anos. Os pesquisadores também estudaram o efeito da substância em pessoas que carregam o APOE4, mas que não têm sintomas da doença. No total, participaram 2.183 pessoas.
Proteção do cérebro
Os pesquisadores usaram uma técnica chamada cromatografia gasosa para medir as concentrações de ácido docosahexaenoico (DHA) e ácido eicosapentaenoico (EPA) dos glóbulos vermelhos. O índice ômega-3 foi calculado como DHA mais EPA.
“Os ácidos graxos ômega-3, como EPA e DHA, são micronutrientes essenciais que melhoram e protegem o cérebro”, explica a coautora do estudo Debora Melo van Lent, PhD, pesquisadora de pós-doutorado no Biggs Institute.
“Nosso estudo é um dos primeiros a observar esse efeito em uma população mais jovem. Mais estudos nessa faixa etária são necessários”, adverte.
A equipe dividiu os participantes entre aqueles que tinham muito pouca concentração de glóbulos vermelhos ômega-3 e aqueles que apresentavam pelo menos um pouco mais do micronutriente.
“Vimos os piores resultados nas pessoas que tiveram o menor consumo de ômega-3”, diz Satizabal. “Então, isso é algo interessante. Embora quanto mais ômega-3, mais benefícios para o cérebro, você não precisa de grandes quantidades para obter os benefícios.”
“Melhorar nossa dieta é uma maneira de promover nossa saúde cerebral”, afirma Claudia Satizabal.
“Se as pessoas pudessem melhorar sua resiliência cognitiva e potencialmente evitar a demência com algumas mudanças simples em sua dieta, isso poderia ter um grande impacto na saúde pública”, continua.
“Melhor ainda, nosso estudo sugere que mesmo o consumo modesto de ômega-3 pode ser suficiente para preservar a função cerebral. Isso está de acordo com as atuais diretrizes alimentares da Associação Norte-Americana do Coração para consumir pelo menos duas porções de peixe por semana, como forma de melhorar a saúde cardiovascular”, concluiu.
Com informações de Correio Braziliense

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