Estilista salva vida de carneiros com coleção de tricô

Um estilista conhecido no mundo da música pop encontrou uma forma inesperada de salvar a vida de carneiros e, ao mesmo tempo, levantar uma discussão sobre diversidade. Michael Schmidt, colaborador do Chrome Hearts e responsável por looks de artistas como Cher e Shakira, descobriu o destino de muitos carneiros que se recusam a acasalar com ovelhas. Em grandes rebanhos de produção, esses animais acabam enviados para o abate por não cumprirem a função de reprodução.
A prática, comum em várias fazendas, chamou atenção de Schmidt. Ele não se surpreendeu com a existência desse comportamento — estudado há décadas —, mas sim com o fim trágico dado aos animais. A partir disso, surgiu uma ideia: usar a moda para dar visibilidade ao problema e propor um novo caminho para esses carneiros.
Foi assim que ele se uniu à Rainbow Wool, organização alemã que resgata carneiros não reprodutores, e ao Grindr, aplicativo voltado ao público LGBTQIA+. Juntos, criaram uma coleção de 37 peças de tricô que une arte, moda e ativismo ambiental.
A descoberta que virou causa
Schmidt ficou impactado ao saber que, em rebanhos comerciais, a proporção costuma ser de um carneiro para cada 50 ovelhas. A função do macho é exclusivamente gerar descendentes. Quando isso não acontece, ele é considerado inútil e descartado.
Ao saber que muitos eram mortos simplesmente por não acasalar, Schmidt decidiu que precisava agir. Para ele, a moda poderia chamar atenção para o tema e provocar uma mudança na criação desses animais.
Foi assim que conheceu a Rainbow Wool, criada na Alemanha por Michael Stücke, um fazendeiro que começou a resgatar carneiros rejeitados. A organização busca alternativas ao abate e transforma a lã desses animais em produto viável.
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O desfile que virou manifesto
A coleção de tricô foi apresentada no primeiro desfile da Rainbow Wool. Schmidt, no entanto, prefere chamar o evento de projeto artístico. Para ele, o objetivo vai além da roupa: trata-se de discutir direitos dos animais e também direitos humanos.
A parceria com o Grindr deu visibilidade mundial à iniciativa. Segundo a equipe do aplicativo, a história funciona como metáfora da forma como muitas pessoas LGBTQIA+ ainda são tratadas no mundo.
As peças criadas misturam humor, estética pop e referências culturais. Entre os modelos estão arquétipos conhecidos, como o “garoto da piscina” e o “professor de educação física”, todos construídos com lã dos carneiros resgatados.
Moda, humor e ativismo
Após receber aproximadamente 30 caixas de lã vinda da Alemanha, Schmidt decidiu criar peças que misturassem estética gay, kitsch e humor. O objetivo era atrair atenção para a causa de forma leve e acessível.
O estúdio do estilista em Los Angeles virou cenário para a criação de sungas, polos de tricô, roupões e até acessórios inusitados, como uma espada feita em crochê. As peças foram tricotadas por Schmidt e pela designer Suss Cousins.
A coleção chamou atenção do Grindr, que estuda levar as peças em turnê no próximo ano. Há também planos de vender parte das criações, com renda destinada à fazenda alemã.
O que vai acontecer com os carneiros
Apesar de toda a visibilidade, o objetivo central da coleção permanece claro: inspirar fazendeiros de outros países a adotarem o mesmo modelo da Rainbow Wool. A ideia é transformar carneiros rejeitados em produtores de lã e evitar o abate.
Schmidt acredita que esse é um momento importante para discutir direitos humanos e direitos dos animais. Para ele, a existência de comportamentos diversos no mundo animal reforça que orientação sexual não é escolha, mas parte da natureza.
O próprio Stücke, que não pôde estar presente no desfile por motivos pessoais — o marido enfrenta tratamento contra o câncer —, ficou emocionado ao ver o impacto da iniciativa. O nome dado ao evento resume o espírito da campanha: “I Wool Survive”.
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