Cannabis medicinal: filme sobre pai e filho precursores é lançado após regulamentação da Anvisa

Na mesma semana em que a Anvisa regulamentou o cultivo da planta e a venda da cannabis medicinal em farmácias de manipulação do Brasil, é lançando um filme sobre o caso de uma família precursora, que ficou famosa em todo o país há 7 anos. Assista abaixo.
O curta-metragem documental “Quanto Custa o Remédio do Meu Pai” conta a história real de Filipe Barsan Suzin e Ivo Suzin, pai e filho mostrados em 2019 aqui no Só Notícia Boa. Eles encontraram na planta da maconha uma forma legítima de tratamento e qualidade de vida para Filipe, que tem Leucemia, e seu Ivo, diagnosticado com Alzheimer. Os dois tiveram melhorias significativas com o óleo rico em THC.
O curta mergulha na intimidade da família de Goiânia (GO), e mostra como a matriarca, Solange Suzin, venceu o preconceito ao medicamento, com coragem e amor. “Mais do que uma história pessoal, é um retrato sobre coragem, empatia e o direito de cultivar a própria medicina”, disse Filipi Suzin em entrevista ao Só Notícia Boa.
Pai e filho melhoraram com a cannabis medicinal
Seu Ivo foi diagnosticado com Alzheimer com apenas 51 anos de idade. A doença tomou o cérebro rapidamente e ele começou a se tornar agressivo dentro de casa, não queria mais comer e parou de reconhecer os familiares. Foi aí que Filipe começou a plantar maconha em casa, clandestinamente na época, e fazer o medicamento para o pai, que teve uma melhora visível e rápida.
O vídeo da recuperação incrível do seu Ivo, postado nas redes sociais no perfil Curando Ivo, criado pelo filho, viralizou na época. A gravação mostra o momento em que o pai reconhece o filme, após um longo período de esquecimento provocado pelo Alzheimer.
Mostramos a história da família aqui no Só Notícia Boa e ela ganhou o Brasil, em programas de TV de rede nacional como o Encontro com Fátima Bernardes, na TV Globo. Em janeiro de 2020 a Justiça Federal de Goiás concedeu um Habeas Corpus preventivo para que pai e filho pudessem cultivar, portar, usar, transportar e importar sementes de cannabis medicinal. Deu certo.
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Conseguiu autorização da justiça
Seu Ivo começou a ter momentos de lucidez, afeto e interação que a família não via há tempos. A experiência dele impactou milhares de pessoas e se tornou ponto de apoio para famílias que buscavam caminhos semelhantes. Infelizmente, 5 anos depois, em novembro de 2025, seu Ivo morreu, após uma pneumonia, que evoluiu para uma infeção generalizada.
Há 6 anos lutando pela liberação do plantio e pela liberação da medicação, Filipe Suzin comemorou a regulamentação da Anvisa desta semana, mas disse que é preciso mais:
“Suficiente ainda não, mas realmente pela primeira vez comemoramos um avanço real. A possibilidade de produção nacional e o início de uma pre regulamentação que será o teste para definir as regras gerais. Mas ainda tem limitação para os tipos de plantas, distinções incompatíveis entre o CBD e o THC que foi a molécula que fez tudo de positivo com meu pai.
História imortalizada
Agora a história da família foi imortalizada num documentário, que chega em um momento decisivo para o Brasil, em meio à discussão sobre a regulamentação do cultivo da planta no país.
“O filme convida à reflexão e ao diálogo: como podemos falar em saúde e liberdade se o tratamento real de tantas pessoas continua criminalizado”, questionou Filipe Suzin.
O filme surgiu da iniciativa de alunos de 1º período do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás e contou com apoio do NUPECC- Núcleo de Pesquisa em Cultivo de Cannabis Sativa-UFG, o vereador Fabrício Rosa e LIS-UEG.
O curta foi vencedor do Festival Miracine 2025 na categoria Jovem Cineasta, do Festival Internacional de Cine Canábico do Rio de Janeiro (FICC-2026) e do Festival Universitário do Audiovisual (FUÁ 2025) de São Caetano do Sul. Ele também passou por telas de várias mostras e sessões pelo Brasil, incluindo o palco “Cannabis é medicinal” da ExpoCannabis Brasil 2025, o maior evento do tema na América Latina.
Associação para ajudar pacientes
E o empresário Filipe Suzin continua na luta, com a Associação @curandoivo, que produz e fornece o medicamento para pacientes, com indicação médica.
Ele diz que o Brasil ainda precisa avançar sobre o uso da cannabis medicinal: “Há propostas que pretendem limitar o cultivo apenas ao cânhamo com menos de 0,3% de THC, excluindo pacientes que dependem justamente dessa molécula”, alertou.
Com direção e entrevista de Isabella Abreu, o filme sobre o Filipe e pai é uma obra sem fins lucrativos em homenagem ao seu Ivo Suzin (1960-2025).
Assista ao trailer do curta Quanto Custa o Remédio do Meu Pai:
Veja aqui ao curta completo:

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