Cachorros treinados conseguem farejar câncer antes de a doença aparecer; pesquisa

Faro apuradíssimo. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriram que cachorros treinados conseguem farejar o câncer precocemente, antes de a doença ser diagnosticada.
O estudo, publicado no The Veterinary Journal, mostra que ao identificar sinais de câncer em amostras de sangue, uma das cachorrinhas do projeto acertou 70% das vezes que tentou.
A pesquisa trabalha na identificação de tipos mortais de câncer canino, porém, estudos anteriores mostram que os cães podem também detectar diferentes tipos de câncer humano, como de ovário, pâncreas, bexiga e pulmão, através do cheiro presente no sangue, na urina ou no hálito, com até 90% de precisão.
“É muito difícil”
As pesquisadoras Cynthia Otto e Clara Wilson, da Penn Vet, contaram que os cães treinados conseguem identificar o odor do hemangiossarcoma, um câncer canino devastador, e isso traz esperança para a criação de uma ferramenta de triagem melhor e de tratamentos mais eficazes.
“Isso é muito encorajador. Detectar o câncer é incrivelmente difícil, é um odor muito complexo”, disse Clara Wilson.
O resultado da pesquisa é importante porque a detecção precoce da doença pode levar a melhores resultados no tratamento.
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Como é o treinamento
Cinco cães de biodetecção foram previamente treinados para reconhecer odores associados a outras doenças, incluindo doença debilitante crônica, transtorno de estresse pós-traumático, câncer de ovário humano e câncer de pâncreas humano.
Eles participaram de testes duplo-cegos que incluíram amostras de soro sanguíneo de cães com hemangiossarcoma confirmado, cães com doenças não cancerosas que não o hemangiossarcoma (controles doentes) e controles saudáveis.
Cada cão avaliou 12 conjuntos de amostras correspondentes em sete ensaios por conjunto.
“Usamos olfatômetros, que são de alta tecnologia — eles têm um pequeno feixe de laser infravermelho na parte superior”, disse Clara Wilson. “Quando esse feixe é interrompido, ele registra que o cachorro está examinando a amostra. E se ele permanecer nesse feixe por tempo suficiente — e se for a amostra correta — ele ouvirá um sinal sonoro e saberá que deve vir buscar seu petisco”, contou.
Câncer tem cheiro detectável
Em média, os cães identificaram corretamente as amostras de hemangiossarcoma em 70% das vezes, uma taxa que, como segundo Clara, está dentro da faixa observada em estudos com cães que detectam câncer em humanos, uma abordagem mais consolidada.
É importante ressaltar que esses resultados indicam que o hemangiossarcoma possui um perfil olfativo detectável, que era o objetivo deste estudo de prova de conceito.
Agora os esforços podem ser direcionados para o desenvolvimento de uma máquina ou um teste para detectar a doença.
A pesquisadora sugere que o teste de odor poderia ser usado como um exame anual de triagem. “Ele poderia sinalizar um possível problema para que o dono pudesse realizar exames adicionais, como ultrassom ou tomografia computadorizada. Isso poderia realmente ajudar a detectar o problema precocemente nesses cães, em casos nos quais só o descobrimos muito tarde”, analisou.
Impedir que a doença se espalhe
A cientista Cynthia Otto disse que se for detectada precocemente “poderíamos impedir a propagação da doença, porque é a disseminação que é realmente devastadora”.
Ela observa que os veterinários poderiam então considerar a remoção do baço antes que ele se rompa ou iniciar a quimioterapia mais cedo para salvar vidas.
A detecção precoce do hemangiossarcoma também permitiria aos pesquisadores testar diferentes terapias em ensaios clínicos

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