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ONU reconhece brasileira que criou sistema para transformar água suja em potável no sertão; sem cloro

Monique de Carvalho
19 / 02 / 2026 às 10 : 52
Uma brasileira criou um sistema que transforma água de cisterna em água potável. Agora ela foi reconhecida pela ONU - Foto: reprodução Instagram
Uma brasileira criou um sistema que transforma água de cisterna em água potável. Agora ela foi reconhecida pela ONU - Foto: reprodução Instagram

A ONU reconheceu o trabalho da jovem brasileira Anna Luísa Beserra, criadora de um sistema que transforma água de cisternas em água potável utilizando apenas energia solar e sem uso de cloro.

O reconhecimento ocorreu após a apresentação do Aqualuz, solução desenvolvida a partir da observação das condições de acesso à água em comunidades rurais do Nordeste. O sistema foi projetado para funcionar em regiões com infraestrutura limitada, onde a água da chuva é armazenada, mas nem sempre é segura para consumo.

Além da simplicidade operacional, a proposta chamou atenção por utilizar um recurso abundante na região, a radiação solar, para eliminar microrganismos da água. A iniciativa passou a ser vista como alternativa viável para ampliar o acesso à água potável em áreas do semiárido.

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Reconhecimento internacional

O prêmio concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destaca jovens que desenvolvem soluções com potencial de impacto ambiental e social. A escolha considera critérios como viabilidade, inovação e possibilidade de replicação.

No caso do Aqualuz, o reconhecimento levou em conta a aplicação direta em comunidades rurais e a capacidade de reduzir riscos associados ao consumo de água contaminada. A distinção posicionou o projeto entre iniciativas internacionais voltadas ao enfrentamento de desafios relacionados à água e saneamento.

Segundo informações do programa, a tecnologia foi considerada uma solução baseada em conhecimento local, com adaptação às condições climáticas e sociais do semiárido brasileiro.

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Origem do projeto

A ideia surgiu durante atividades educacionais voltadas à sustentabilidade, quando Anna observou que muitas famílias possuíam cisternas abastecidas com água da chuva, mas continuavam enfrentando problemas de saúde.

A constatação indicava que o desafio não estava apenas na disponibilidade de água, mas na qualidade do armazenamento. A partir desse diagnóstico, iniciou-se a busca por uma alternativa que não dependesse de energia elétrica ou insumos químicos.

Após testes e ajustes, foi desenvolvido um protótipo com foco em baixo custo, durabilidade e facilidade de uso em áreas isoladas.

Como funciona o sistema Aqualuz

O equipamento utiliza um reservatório transparente onde a água permanece exposta à radiação solar por algumas horas. A combinação de luz e temperatura contribui para a inativação de bactérias e outros microrganismos.

O processo dispensa produtos químicos e manutenção complexa. Sensores indicam quando a água atinge condições adequadas para consumo, facilitando a operação por moradores das comunidades.

Dados da iniciativa responsável pela tecnologia indicam vida útil estimada de até duas décadas e capacidade de purificação suficiente para atender o consumo diário de uma família.

Implementação em comunidades e alcance social

Desde o reconhecimento internacional, o sistema foi instalado em comunidades rurais de estados como Bahia, Piauí, Pernambuco e Ceará. A iniciativa inclui capacitação de moradores para instalação e acompanhamento dos equipamentos.

O modelo quer fortalecer a autonomia local, ao permitir que a própria comunidade participe da gestão da tecnologia. Informações do projeto apontam que milhares de pessoas passaram a ter acesso a água tratada por meio do sistema.

O reconhecimento pela ONU também ajudou no aumento da visibilidade do projeto criado por Anna e facilitou parcerias institucionais voltadas à expansão do uso da tecnologia em outras regiões.

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