Quem é a pesquisadora que desenvolveu a vacina 100% brasileira contra dengue

Outra cientista brasileira para ser aplaudida: é a pesquisadora Neuza Frazzati, que desenvolveu a vacina 100% brasileira contra a dengue em dose única. Ela é do Instituto Butantan, em São Paulo.
A vacina já está sendo aplicada no SUS em cidades piloto como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Segundo o Ministério da Saúde, ela deverá chegar ao resto do país até o segundo semestre, para pessoas de 15 a 59 anos.
A revista Nature publicou este mês que o imunizante protege durante 5 anos e tem eficácia entre 65% e 80% contra a dengue. Neuza Frazzati disse que ver a vacina no braço dos brasileiros é a realização de uma missão de vida para evitar mortes e sofrimento.
40 anos de estudo
A pesquisadora, que é educadora e mãe de dois filhos Ela trabalhava como professora e se dedicava a alfabetizar adultos quando prestou o concurso de biologista em 1980.
Quatro anos mais tarde, passou no concurso para pesquisadora científica do Butantan.
Bióloga e doutora em Biotecnologia pela USP, Neuza começou como voluntária para trabalhar em outra vacina, contra o vírus influenza.
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A vacina brasileira da dengue
Neuza é atualmente gerente de projetos do Laboratório Piloto de Vacinas Virais e foi responsável por implementar no Butantan, no início dos anos 2000, a tecnologia que, anos mais tarde, seria utilizada para produzir o imunizante contra a dengue.
Para minimizar o uso de animais nas pesquisas, ela e sua equipe estabeleceram a produção de vacinas e antígenos virais em células Vero, uma linhagem celular isolada de rim de macaco africano.
O primeiro produto feito nessas células foi a inédita vacina contra a raiva em meio livre de soro, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2008, que rendeu a Neusa o Prêmio Péter Murányi-Saúde dois anos depois.
A explosão da dengue no país
Com a explosão de casos de dengue no Brasil em 2010, quando o indicador triplicou em relação a 2009, os esforços se voltaram para desenvolver a primeira vacina brasileira contra a doença. Na época, o Butantan assinou um acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) para receber as cepas dos quatro vírus da dengue atenuados.
Neuza liderou os estudos para a produção do imunizante na plataforma de células Vero, que já estava consolidada em seu laboratório.
“Tivemos várias reuniões com o NIH e trabalhamos a todo vapor, dia e noite – para nós, não existia sábados, domingos ou feriados. Eu comecei com uma equipe pequena, que foi crescendo e chegou a mais de 50 pessoas. Em quatro anos, finalizamos a formulação da vacina e entramos na fase 2 do estudo clínico”, disse em reportagem do Instituto Butantan.
Muito trabalho da pesquisadora
Foram 270 experimentos e 50 tentativas de formulação, até os cientistas chegarem à versão final.
“Cada monovalente que compõe a vacina perdia uma quantidade de carga viral diferente ao longo do processo. Então foi preciso estipular para cada vírus qual a quantidade ideal a ser inoculada nas células, qual o período de incubação e o momento certo de coletar, para que na formulação final os quatro tivessem exatamente a mesma concentração”, explica a pesquisadora.
Após mostrar bons resultados nos 300 participantes da fase 2 do estudo clínico, o imunizante já está na reta final da fase 3, em humanos.
Dever cumprido
Para a cientista, que em 2021 ganhou o prêmio Women in Life Sciences, da associação farmacêutica internacional Parenteral Drug Association, a sensação é de dever cumprido.
“Esse prêmio não é só para mim, e sim para todas as cientistas brasileiras e para todas as mulheres. Nós sofremos muita discriminação a vida toda. Muitas vezes, as pessoas não te olham realmente como uma profissional.”
O imunizante usado na vacina brasileira contra dengue é liofilizado (em pó), que facilita o transporte e o armazenamento em regiões brasileiras com pouca infraestrutura.

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