Natal chegando: fuja do estresse das compras com 5 dicas simples

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compras_natal
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Luisa Borges
Todo ano é a mesma coisa: correria, calor, trânsito parado, falta de estacionamento, lojas cheias, crianças chorando, gente nervosa carregada de pacotes e sem paciência, ufa!
É… chegou o Natal, e como sempre acontece nessa época do ano, em que o apelo emocional é muito grande e o espírito natalino está à flor da pele, acabamos entrando nessa roda-vida, comprando por impulso e gastando muito mais do que podíamos.

Na maioria das vezes, só nos damos conta do prejuízo depois de passada a ressaca do Ano Novo. 

Mas, tudo isso pode ser evitado com um pouco de bom senso e racionalidade.
Em primeiro lugar devemos ter em mente que presentear, mais que uma arte, é um ato de atenção, em todos os sentidos. Atenção para com a pessoa a ser presenteada e atenção para com os preços, qualidade do produto e condições de pagamento.
Quem presenteia precisa lembrar que o presente deve agradar a quem recebem e não a quem dá. 
Por isso é sempre bom conhecer o gosto e as predileções das pessoas e, se possível, até perguntar o que gostariam de ganhar.
Outro detalhe importante é saber que um presente não substitui carinho e atenção e nem serve para aliviar sentimentos de culpa.
O tamanho do amor também não pode ser medido pelo valor dos presentes mas pelas atitudes diárias. Assim como a qualidade e a utilidade do produto nada têm a ver com o preço.
Existem algumas dicas simples que ajudam muito a ter um Natal mais tranquilo e sem problemas:
• Fazer uma lista das pessoas a serem presenteadas e os respectivos presentes.
• Planejar gastar um valor que não afete o orçamento.
• Sempre que possível, pagar à vista, para não começar o ano com dívidas.
• Gentilezas e sorrisos dos vendedores não são os únicos motivos para levar um presente. É preciso verificar qualidade, utilidade, garantia, preços, condições de pagamento e a possibilidade de troca do produto.
• Dentro das lojas, toda a atenção deve ser dirigida às compras, por isso, sempre que possível, a criançada deve ficar em casa.
E, embora seja uma característica do ser humano, deixar as comprasm para a última hora, quase sempre resulta em prejuízo.
O Natal pode ser uma época tranquila, de confraternização e de paz, se todos tivéssemos pequenas mudanças de atitudes, como ter paciência, ser gentil e principalmente lembrar o motivo da comemoração.
Pense nisso.
Ah! Em tempo: Veja que lindo este texto, atualíssimo, de Cecília Meireles:
Compras de Natal
A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e
cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem,
estrelas que jamais estiveram no céu.
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se
com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as
coisas que possam representar beleza e excelência.
Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado
numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos,
e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer
dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um
prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.
Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e
extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços —
e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis.
Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma
vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente.
Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a
graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém
oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a
insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará
comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que —
especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia.
Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não
sirva a bem dizer para coisa alguma.
Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas
sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da
ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta
de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma
de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo
adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!
São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis
de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade
oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo
tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas
palhas, a olhar para este mundo.
Texto extraído do livro “Quatro Vozes”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1998, pág. 80.