Dores de crianças com câncer diminuem em dias de aula, na escolinha do hospital

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As dores de crianças internadas com câncer diminuem quando elas têm aulas do currículo escolar dentro do hospital.
Foi o que constatou uma experiência feita pelo Hospital A.C. Camargo, no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Desde que foi criado o sistema de estudo durante a internação, em 1987, as aulas na escola foram suspensas por um único mês, em janeiro de 1995, por determinação das autoridades públicas.
E no mês em que as aulas não ocorreram, o uso de medicamentos para dor aumentou até 60%.
O Hospital A.C. Camargo Câncer Center, é pioneiro no país em oferecer educação para as crianças que estão lá internadas, ou fazem tratamento, ou acompanhamento contra o câncer, como é o caso de Mateus.
“A escolinha distrai. Graças à escolinha, o tempo aqui dentro [passa]: não parece que você está dentro de um hospital. Durante seis meses ele não vai poder frequentar a escola dele. Ele se afastou da escola, dos amigos. Na escolinha, ele acaba se socializando com outras crianças e faz amigos. Com isso, o tempo acaba passando e [o tratamento] não fica tão penoso. Ele gosta muito”, contou Glaucia Xisto, mãe de Mateus, de 5 anos, diagnosticado com leucemia há 3 meses.
As aulas hospitalares são dadas por 16 professores da rede pública, tanto municipais quanto estaduais.
Em média de 15 crianças são atendidas por dia, em um trabalho que é desenvolvido em conjunto com os pais.
“As professoras fazem contato com as escolas e seguem os parâmetros curriculares. Mas é claro que não serão desenvolvidas atividades como em uma escola regular até porque eles não ficam aqui o período em que ficam em uma escola regular. A escola hospitalar vai suprir, na verdade, o contato, a interação do ser humano com outro ser humano”, disse Ana Maria Kuninari, gerente educacional do Hospital A.C. Camargo.
As aulas em hospitais como complemento das escolas regulares são, hoje, realizadas em vários outros lugares.
No Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os conteúdos das aulas da Escola Móvel – projeto desenvolvido junto ao Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graac), são definidos pelos professores do hospital em contato com os professores das escolas regulares dos alunos.
Lá, os alunos têm aulas de diversas disciplinas, como Matemática e Física.
Cerca de 270 crianças são atendidas por mês na Escola Móvel.
A rotina escolar da criança segue a rotina do tratamento. “Quem fica mais no hospital é o aluno que faz transplante de medula óssea porque fica praticamente 40 dias internado. Excetuando-se esse caso, geralmente a criança vem duas vezes por semana ou às vezes pode vir uma semana toda e pular outras duas”, explicou a coordenadora da Escola Móvel.
Em ambos os hospitais a escola hospitalar é oferecida gratuitamente, como parte do tratamento.
Com informações da Agência Brasil.

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