Herpes-zóster: EUA aprovam nova vacina com 90% de eficácia

2425
Herpes-zóster - Foto: Getty Images
Herpes-zóster - Foto: Getty Images

Os Estados Unidos aprovaram uma nova vacina contra a Herpes Zoster, doença vulgarmente conhecida como cobreiro, que faz provoca bolhas na pele, causa uma dor insuportável e pode deixar sequelas permanentes.

A Shingrix, produzida pela GlaxoSmithKline foi aprovada pelo FDA, agência que regulamenta remédios e alimentos nos EUA, em outubro.

A vacina é recomendada para pessoas acima dos 50 anos e promete eficácia maior contra a doença, de 90%.

Ainda não há previsão de quando a vacina deverá chegar no Brasil.

Tratamento hoje

O tratamento atual envolve medicamentos antivirais e analgésicos e, quanto mais cedo o paciente buscar o hospital, maior as chances de sucesso.

O princípio ativo utilizado para conter a herpes-zoster, o aciclovir, evita a expansão das lesões, mas só tem efeito se tomado até 72 horas após o aparecimento dos sintomas. Por isso, rapidez na busca de ajuda é essencial.

“Após 72 horas, não pode mais usar o remédio, então a demora no diagnóstico pode levar à perda do timing de tratamento. Quando isso acontece, trata-se a dor e as outras características, mas não a doença”, explica explica Maisa Kairalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

A única maneira de prevenir a infecção, que pode ocorrer várias vezes, é por meio da vacinação. O imunizante, contudo, não é 100% eficaz, está disponível somente na rede privada e custa, em média, R$ 450.

A única forma de prevenir a herpes-zóster é por meio de uma vacina contra o varicela-zóster na vida adulta.

Desde 2014, o Brasil conta com uma, a Zostavax, produzida pela Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda.

No entanto, o produto está disponível somente na rede privada e tem indicação apenas para aqueles acima dos 50 anos. Pessoas antes dessa faixa etária, como Conde e Deborah, não são elegíveis para o imunizante.

“A bula recomenda a vacina para a partir dos 50 anos e não há estudos sobre o seu efeito em pessoas abaixo dessa faixa etária. Na minha prática clínica, nunca fiz antes [vacinar uma pessoa abaixo dos 50 anos]”, afirma Kairalla.

A vacina, contudo, não é sinônimo de proteção total. De acordo com a fabricante, o produto tem eficácia média de 70% – o que significa que três em cada dez pessoas que tomam a vacina podem vir a desenvolver a doença ainda assim.

No entanto, ressalva Kairalla, sua administração pode evitar a neuralgia pós-herpética, a condição dolorosa que pode permanecer após a doença.

A herpes-zóster

Embora tenham o mesmo nome, herpes e herpes-zóster são doenças totalmente distintas. A primeira é provocada pelo germe HSV-1, Já a segunda é resultado da ação do vírus da catapora.

A herpes-zoster é uma doença infecciosa causada pelo vírus varicela-zóster – o mesmo responsável pela catapora.

Geralmente adquirido na infância – momento em que a maioria dos brasileiros manifesta as feridas clássicas e a coceira da catapora -, ele pode ficar anos dormente no organismo e “acordar” a qualquer fase da vida.

Quando desperta, o vírus faz surgir dolorosas bolhas pelo corpo.

“O vírus fica alojado em gânglios nas regiões do tórax ou do abdômen e um dia, por causa da queda da imunidade ou porque a pessoa está mais velha, ele aparece como herpes-zoster”, explica Maisa Kairalla.

Mesmo aqueles que não tiveram catapora na infância podem desenvolver a doença na vida adulta.

“Não precisa ter tido a doença, basta contato com o vírus. E a população brasileira é muito exposta a ele – 94% está infectada com o varicela-zóster”, afirma.

A doença pode deixar sequelas, que vão de cicatrizes a cegueira e surdez.

Também é comum a neuralgia pós-herpética, conhecida como nevralgia, uma condição dolorosa que é ativada na maioria daqueles que desenvolvem a herpes-zoster e que pode durar vários anos.

A condição pode ser tão intensa que afeta movimentos simples, como vestir-se ou levantar-se da cama. É essa dor que Conde ainda conta sentir.

Em jovens

A doença é mais comum após os 50 anos – no entanto, o diagnóstico em jovens tem sido frequente, afirma Kairalla.

O estresse, diz a médica, é um dos fatores que vem mudando o perfil daqueles afetados pela infecção e fazendo a doença aparecer cada vez mais cedo.

“Estamos vendo a doença em mais jovens, vejo muito naqueles em pré-vestibular”, diz a médica. “Tudo o que diminui a imunidade pode levar a herpes-zoster. O estresse acorda o vírus.”

Com informações da BBC