Ela tem nanismo, 20% de visão, se formou em direito e começa pós

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Maria Eduarda Mendonça - Foto: reprodução / Uniceub / Youtube|
Maria Eduarda Mendonça - Foto: reprodução / Uniceub / Youtube|

A história de superação de uma jovem de Brasília, com nanismo, dores e com apenas 20% de visão, é digna de aplausos.

Aos 25 anos, Maria Eduarda Mendonça, conhecida como Duda, terminou em 2017 a graduação em direito no UniCEUB, passou no exame da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil e começa no próximo dia 26 sua pós-graduação no Ministério Público.

Com 87 centímetros de altura, ela tem displasia óssea esponjometafisária com distrofia de cones e bastões, resultado da combinação genética de genes recessivos dos pais. Há 10 casos como o dela no mundo.

Maria Eduarda tem fortes dores no corpo, especialmente nas costas e precisa de uma cadeira de rodas para se locomover fora de casa.

Mas nada disso a fez desistir dos sonhos.

História 

Maria Eduarda é filha de um casal do interior de Minas Gerais: Modesto, de 63 anos, e Maria Elza, de 60. Eles vivem há mais de 30 anos na capital federal.

Até os 8 anos de idade Maria Eduarda não sabia ler nem escrever. Mas, quando conheceu a professora Idalene Aparecida, aprendeu que as próprias limitações eram apenas obstáculos no caminho do que poderia alcançar.

Durante a vida escolar, a jovem enfrentou bullying, muitas vezes por falta de instrução dos mestres.

“Crianças com deficiência não vêm com bula, principalmente quando é um caso de que nunca ouviram falar. Apesar de terem muita boa vontade, os pais, muitas vezes, não sabem o que fazer, e nisso os meus professores me ajudaram muito. Eu saí da escola preparada para o mundo”, conta.

Desde criança, ela ministra palestras relacionadas à inclusão de pessoas deficientes e superação.

Em uma delas, conheceu Cristina e Marco Antonio Del´Isola, pais de Maria Cláudia, assassinada em 2004, no Lago Sul, em Brasília.

Eles deram uma bolsa de estudos em um colégio particular do Plano Piloto, onde Maria Eduarda Mendonça cursou o ensino médio.

Apaixonada por animais, cogitou fazer veterinária ou biologia, mas a deficiência dificultaria a atuação nessas áreas.

Como sempre teve interesse pelos direitos do ser humano, a monografia da graduação foi sobre educação inclusiva e a equalização de oportunidades no ensino.

“As escolas, muitas vezes, não se preparam para receber as pessoas com deficiência. Todos têm direito à educação, sem precisar ter algum tipo de barreira”, afirma.

Maria Eduarda Mendonça - Foto: reprodução / Uniceub / Youtube
Maria Eduarda Mendonça – Foto: reprodução / Uniceub / Youtube

Apoio

A mãe Maria Elza a acompanhou durante todo o curso de direito e vai continuar ao seu lado durante a pós-graduação.

O pai, atualmente sem emprego fixo, sempre trabalhou para suprir as necessidades da família, como a compra de diversos remédios.

A irmã, com quem a bacharel de direito tem um forte elo, é uma das pessoas que mais a ajudam no dia a dia.

Devido ao nanismo, Duda não consegue tomar banho ou vestir a roupa sozinha. Nessas tarefas, recebe o auxílio de Fernanda, de 37 anos, que também é portadora de deficiência.

Fernanda está na fila para receber transplante de rim, e a mãe, Maria Elza, pretende ser doadora, caso seja possível.

Futuro

Maria Eduarda, que agora é bacharel em direito, quer receber tratamento com células-tronco, o que pode melhorar consideravelmente a visão.

Duda é uma boa candidata para o procedimento, que talvez possa se tornar realidade em 2022, de acordo com o médico que enviou seu mapeamento genético para os Estados Unidos.

Com auxílio da família, a meta de Duda é chegar ao cargo de procuradora da República.

Assista ao vídeo em que Maria Eduarda conta parte da vida da vida dela:

Com informações do CorreioBraziliense e Uniceub