Alunos criam técnica para purificar água do semi-árido

Um método de baixo custo, para purificar água de cisternas no semi-árido brasileiro, foi criado por estudantes do ensino médio de Campinas, no interior de São Paulo.
O sistema, desenvolvido por três alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Bento Quirino, produz cloro a partir da eletrólise – processo químico feito com eletricidade – de uma solução de água com sal.
O protótipo prevê ainda o uso de energia solar para o processo. Ele pode beneficiar comunidades que dependem da água da chuva e não têm eletricidade em casa.
Prêmio
A ideia, premiada no ano passado pelo Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, levou Beatriz Ruscetto da Silva, Matheus Henrique Cezar da Silva e Gabriel Gertrudes Trindade para conhecer a capital da Suécia.
Lá, eles tiveram a oportunidade de conhecer projetos semelhantes de todo o mundo e de ouvir opiniões qualificadas sobre a própria proposta.
“Foi surreal. Até hoje parece que foi um sonho. Nenhum de nós três tinha viajado de avião e nessa viagem ficamos mais de 10 horas no avião”, lembra Beatriz.
A ideia
Foi o contato com outro projeto, de um colega de classe, que deu início ao desenvolvimento do STAC-IBR, que ganhou o prêmio sueco.
“A ideia nasceu graças ao projeto do nosso amigo Lucas Gabriel: ele fazia eletrólise mas descartava o gás cloro. Pensamos logo em como utilizar o cloro da eletrólise. A primeira ideia foi em tratar água.
A partir daqui começamos a pesquisar como isso seria feito e para quem seria feito”, conta a estudante.
Protótipo
Para conseguir desenvolver o protótipo, os estudantes do curso técnico em eletrônica tiveram que investir em conhecimentos fora das disciplinas convencionais.
“Tivemos que aprender química em pouco tempo. Antes do projeto nunca havíamos entrado em um laboratório de química, aprendemos muito”, disse Beatriz.
O novo desafio envolveu também o estudo das condições atmosféricas.
“Tivemos dificuldade nos testes porque não chovia muito e precisávamos da água da chuva. Outra dificuldade foi estar em São Paulo e fazer um projeto inteiramente dedicado ao Nordeste brasileiro”, comenta.
Implantação
Apesar da premiação, o projeto ainda precisa ser testado no local para passar pelos ajustes necessários à implantação.
Segundo Beatriz, seria importante, por exemplo, verificar a fixação do equipamento no solo. “E se as altas temperaturas influenciariam muito no processo e, principalmente, como a população se adaptaria”, enumera.
Mas agora que deixaram o ensino médio e entraram no superior, os estudantes têm menos tempo para dedicar ao projeto e tentar viabilizar o uso prático do equipamento.
“Como o projeto começou durante o ensino médio, ficávamos o dia todo juntos. Agora cada um está em uma universidade diferente, atrás de trabalho. Os encontros diminuíram”, conta.
Agora Beatriz estuda na Faculdade de Química na Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Com informações Agência Brasil

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