Coral salva vidas de jovens no Mato Grosso com música

Arte cidadã, o coral - Foto: Luzo Reis
Arte cidadã, o coral - Foto: Luzo Reis

O coral da Associação Arte Cidadã vem transformando e salvando vidas de jovens no Mato Grosso com a música.

“Não é só a dificuldade que é capaz de gerar gatilhos do bem nas pessoas. Nem sempre a empatia vem pela semelhança nas histórias de vida ou das faltas. Em alguns casos, a necessidade de fazer mais pelo mundo nasce da vontade de dar aos outros as mesmas oportunidades que se teve. Brota da sede de justiça e da coragem de partilhar”.

Foi isso que o casal Iara e Eduardo, Caçadores de Bons Exemplos, encontrou quando cruzou o caminho do Arte Cidadã.

“Quando o chamado é real, a gente vê nos olhos e a vontade de fazer acontecer sem desculpas. Eles não tinham lugar, fizeram por anos dentro de casa, não tinham instrumentos, começaram com o coral. A força de vontade de fazer acontecer é motivadora e nos faz relembrar que as coisas dão certo quando a intenção é boa e ação existe!”, contam Iara e Eduardo.

O começo

Jeferson Gonçalo Ribeiro, um ex-seminarista que teve a possibilidade de viajar, conhecer o mundo, lugares e culturas muito além dos muros de Santo Antônio do Leverger, no MT.

Sair de sua cidade, fez com que crescesse nele uma vontade de dar para as pessoas dali, as oportunidades que eram tão abundantes nos lugares que ele conheceu.

Foi então que, em 1992, começou a desenvolver um trabalho com música.

Durante esse tempo, Jeferson se deu conta de que o povo da sua cidade precisava de ajuda.

Com os índices de gravidez na adolescência batendo recorde e o tráfico de drogas dominando a vida dos jovens, ele entendeu que era hora de usar do canto e dos instrumentos para fazer ainda mais diferença na vida daquela comunidade.

Assumiu então o papel de professor de música da rede pública e criou um coral adulto. O trabalho floresceu e logo se transformou em dois corais, depois em três e quando Jeferson se deu conta, sua casa estava tomada por crianças, jovens e adultos que buscavam aprender a arte.

Transformação

Os resultados eram enormes, as ruas já não eram a única opção das pessoas. A maturidade, responsabilidade e a disciplina vinham como bônus das aulas de música que, além de uma ocupação do tempo, se transformava para muitos em uma possibilidade de trabalho.

“O Arte Cidadã é tudo na minha vida. Nele eu encontrei meu propósito, meu trabalho e minha família, não só a de consideração – que são meus alunos – mas, minha esposa também. Ela cantava no coro e quando nos casamos ela comprou o “pacote” completo: hoje é a presidente da Associação. E o que comecei sozinho, sem grandes pretensões, só cresceu porque juntei forças com a Magda”, disse Jeferson.

“Nós acreditamos que o nosso trabalho tem um impacto real na vida das pessoas e por isso nos dedicamos tanto a ele”.

Com tanto sucesso, os professores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) chegaram à Associação Arte Cidadã, que se tornaria um núcleo de extensão da UFMT.

Esse novo passo, fez com que a quantidade de alunos crescesse significativamente e a casa de Jeferson ficasse inviável.

A próxima grande mudança do projeto foi passar a dar aulas em uma escola estadual do município.

“A gente acredita que, se fizer um bem para esta cidade, vai inspirar outras pessoas e multiplicar isso para outros lugares. Muita gente diz que se a gente fosse para Cuiabá teria dinheiro. Mas, foi aqui que fomos provocados, e é nessa realidade que queremos intervir”, concluiu Jeferson, emocionado.

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNoticiaBoa – com Caçadores de Bons Exemplos