Dúvidas sobre o Pix? Vale a pena? Pra quem? Especialista explica

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Tem muita gente perguntando o que é o Pix, se vale a pena e pra quem serve esse novo sistema de pagamentos instantâneos, que vai começar a funcionar a partir de 16 de novembro.

Bem, o primeiro ponto é que ele será gratuito para pessoas físicas, incluindo para os MEIs, (microempreendedores individuais), por isso poderá representar o fim das TEDs e DOCs, que hoje são cobrados e funcionam apenas em horários específicos.

O novo sistema vai permitir transações 24h por dia, sete dias por semana, de maneira gratuita e imediata.

Para entender os pontos positivos e negativos do Pix, o SóNotíciaBoa conversou com o professor Adriano Marrocos, Conselheiro no CFC – Conselho Federal de Contabilidade.

Ele disse que o Pix é “uma evolução do sistema de pagamento e transferência de recursos, que poderão ser realizados em qualquer dia da semana e em qualquer horário; e que reduzirá os custos das operações. Essa evolução busca reduzir custos, agilizar processos e elevar o nível tecnológico nas operações bancárias”, afirmou Marrocos.

Ele lembrou que muita gente reclama hoje das TEDs e Docs:

“Os processos de pagamentos e, principalmente, transferências de recursos, há muito tempo, criam insatisfação aos correntistas, tanto pelas elevadas tarifas e limitações, quanto pela indisponibilidade dos serviços nos momentos desejados pelos correntistas, dependendo da operação dos bancos”.

O professor explicou que com a mudança o governo pretende “agilizar os processos de pagamentos e de transferência, reduzindo custos e envolvendo todos os bancos em único sistema”.

“Muitas pessoas tem cartão de crédito pré-datado e cartão de débito, um plástico que custa caro. Agora, será uma chave eletrônica no seu celular. Uma TED e um DOC requerem um atendimento especializado e geração de documento próprio. Assim, vão gastar muito menos e ainda vão ganhar dinheiro”, afirmou Marrocos, em relação aos Bancos.

Pra quem serve

Para aderir ao Pix, o correntista deve entrar na página ou no aplicativo do banco e se cadastrar.

“O Pix é para todo mundo. Uma forma mais simples e barata de pagar e receber dinheiro, tudo em segundos, a qualquer dia e a qualquer hora!”, informa o site do Banco do Brasil.

E o professor Marrocos reitera:

“Considerando que as pessoas, em regra, efetuam pagamentos e transferência de recursos, o sistema será importante para todos. Se considerar uma tarifa de R$ 20,00 para uma TED e que os pagamentos devem observar horários e limites de operações para realização, será um grande avanço”, disse.

Entre as principais novidades está a possibilidade de compra de ativos usando o Pix. Será possível, por exemplo, adquirir imóveis e carros de maneira mais prática.

NBão será disponibilizada a opção de parcelamento, o que pode ocorrer em 2021 com a inclusão do Cartão de Crédito nessa discussão.

O Pix também deverá receber a função de saque direto no varejo com códigos QR, que poderão ser escaneados em determinados estabelecimentos para possibilitar a transação dispensando o uso de caixas eletrônicos.

No futuro, o Pix deverá permitir ainda transferências internacionais e débito automático.

Cobrança

As regras definidas pelo Banco Central dizem que é proibida a cobrança de tarifas na utilização do Pix para empresários individuais (MEIs) em envio de recursos, para transferência e compra; e para o recebimento de recursos, com a finalidade de transferência.

Mas a proibição da cobrança não se aplica se a transação for feita por nos canais de atendimento presencial ou pessoal da instituição, inclusive o canal de telefonia por voz, quando estiverem disponíveis os meios eletrônicos para a sua realização.

Cobranças também podem se feitas para pessoas físicas e empresários individuais quando a transação for de recebimento de recursos, com a finalidade de compra.

Já as pessoas jurídicas podem ser cobradas se houver envio e recebimento de recursos e na prestação de serviços acessórios relacionados ao envio ou ao recebimento de recursos.

O Banco Central informou que, no caso de aplicação de tarifas, o valor deve ser informado ao cliente no comprovante do envio e do recebimento de recursos, no extrato ordinário da conta de depósitos e da conta de pagamento, no demonstrativo de utilização do serviço de iniciação de transação de pagamento e em tabela de tarifas de serviços prestados no sítio eletrônico da instituição na internet e em demais canais eletrônicos.

Cuidados

As transações do Pix serão criptografadas e feitas por meio de uma rede protegida e separada da internet para evitar ataques, afirmou o Banco Central.

Porém, antes mesmo de ser lançado, o Pix já foi alvo de cibercriminosos, por isso é bom ter cuidado.

A Kaspersky, empresa de cibersegurança, informou que só no primeiro dia de cadastros, ao menos 30 domínios falsos foram criados com o nome do novo programa, para conseguir informações pessoais de consumidores, efetuar fraudes em seu nome e disseminar softwares nocivos para hackear computadores e contas com roubo de senhas.

Como se proteger

Caso o consumidor tenha conta em um grande banco, e tenha habilitado uma chave Pix para esta conta, as senhas para autenticação e os modelos de biometria usados para que haja o acesso do aplicativo já será a barreira de segurança para o acesso ao Pix.

Caso o celular seja roubado, o processo de proteção de dados a ser seguido continua o mesmo: informar às instituições financeiras do ocorrido e fazer um boletim de ocorrência o mais rápido possível.

Se houver mudança de número, você precisará incluir uma nova chave usando seu novo número de telefone celular e excluir a chave referente ao número antigo.

Prof. Adriano Marrocos - Foto: arquivo pessoal
Prof. Adriano Marrocos – Foto: arquivo pessoal

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa – com informações do BB e BC