Ex-detento muda de vida e transforma lixão em lugar de cura para jovens

Crianças no Mãezinha do Céu - Foto: divulgação
Crianças no Mãezinha do Céu - Foto: divulgação

Coragem é a palavra que define a vida de Cléuvis José dos Santos, um ex-presidiário condenado por tráfico de drogas e homicídio que criou a Mãezinha do Céu, uma instituição de oportunidades que transformou um lixão em lugar de cura para jovens de Sorriso, no Mato Grosso.

Cléuvis cresceu sem pai, se perdeu nas drogas, encontrou consolo e falsa coragem no mundo do crime.

“Quando escutamos a história do Cléuvis, arrepiamos. Ele tem muita clareza do que fez, de como se perdeu e de tudo que lhe custou suas escolhas erradas lá atrás. Aquilo tudo mexeu com a gente não só porque era pesado, mas porque para muitos ele já tinha atravessado todos os limites e já não era possível voltar ou recomeçar. Mas, ele provou que nunca é tarde demais e isso é gigantesco!”, contam Iara e Eduardo, os Caçadores de Bons Exemplos.

A virada

O recomeçar daquele homem se deu dentro de um presídio em Sorriso, Mato Grosso, quando teve a chance de participar de um projeto e ter contato com uma pastoral que desenvolvia trabalhos ali.

Quando se encontrou e entendeu tudo o que tinha feito, se martirizou durante algum tempo e tinha muito medo do que a abstinência das drogas faria com ele.

Após cumprir sua pena, ele só pensava em construir algo que pudesse mudar de fato a vida das pessoas e viu em um lixão, dentro de um os bairros mais pobres da cidade, o lugar certo para criar o Mãezinha do Céu.

“Eu sabia que ali era o lugar reservado para o nosso trabalho. Tinha certeza, mesmo com as dificuldades que enfrentamos para aterrar e conseguir patrocínio para organizar tudo, eu tinha certeza. Ali educaríamos crianças e adolescentes, conversaríamos e apoiaríamos de uma forma que fosse capaz de prevenir que eles seguissem pelos caminhos que eu segui”, diz Cléuvis.

Como

Partilhar sempre foi o caminho que eles escolheram para romper barreiras e criar um laço com quem passasse por lá.

Contar e escutar as histórias de cada um, fazia com que todos se sentissem confortáveis e ficassem abertos para escutar o que eles tinham para ensinar.

“Criamos um teatro: pedíamos para eles trazerem a roupa do pai, e os jovens encenaram o pai chegando em casa, derrubando mesa, batendo na mãe. E a cada cena que assistíamos, oferecíamos comida e também nossa percepção da realidade deles, dos traumas que guardavam, da revolta que algumas crianças tinham”, completa Cléuvis.

Reflexão

Hoje a instituição Mãezinha do Céu ajuda 140 crianças e adolescentes.

“Não tenho palavras para isso. Eu era um traficante, usuário de drogas, dependente químico. Cometi homicídio, várias tentativas de homicídio e sou ex-detento. Uma pessoa sem coração durante um bom tempo da minha vida. Um lixo mesmo, uma coisa estragada. E, há vinte anos, eu mudei”, afirma.

“O que eu quero com isso? Quero mostrar que é possível mudar. É possível acreditar no ser humano, independentemente da condição em que ele esteja ou viva. Nunca vire as costas para ninguém. Dê uma oportunidade”, diz emocionado!

Para saber mais sobre o projeto acesse as páginas da instituição no Facebook e Instagram.

Cléuvis José dos Santos - Foto: divulgação
Cléuvis José dos Santos – Foto: divulgação

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNoticiaBoa – com Caçadores de Bons Exemplos