Homem sem-teto que estudava sozinho consegue emprego e casa

Ele morou nas ruas mas, estudando sozinho, conseguiu emprego e casa. O Carlos Ulisses Gomes, de 57 anos, perdeu muita coisa na vida, mas nunca a paixão pelo aprendizado e pela leitura.
Técnico em mecânica há 26 anos, ele chegou a trabalhar em grandes empresas como Odebrecht, Camargo Correia e Queiróz Galvão. Com a crise, Carlos perdeu o emprego e, sem ter como se sustentar, foi morar sob a marquise do prédio da Defensoria Pública do Estado, no Centro do Rio de Janeiro.
Hoje ele comemora o recomeço e, com a ajuda de um projeto, quer inspirar outras pessoas a nunca desistirem.
Vida na rua
Afastado de toda a família, Carlos conta que foi muito cruel o tempo em que passou nas ruas: “Foi uma experiência e um aprendizado que não desejo para o pior inimigo”, disse.
Ele foi empurrado para as ruas em 2019, quando a empresa na qual trabalhava virou alvo da Operação Lava Jato.
A crise e o desemprego forçaram Carlos a deixar o salário de R$ 10 mil por mês e sobreviver com R$ 40 por dia, que ele conseguia com muito sacrifício catando e vendendo latinhas nas ruas do Rio.
Apesar de todos os riscos que correm os que vivem nas ruas, ele disse que conseguiu se livrar de vários. Carlos não se envolveu com drogas nem crime e disse que a maior força que tirou para enfrentar tudo isso veio dos livros, que sempre carregava.
Recomeço
A vida de Carlos começou a mudar quando ele conheceu o pessoal do projeto Amor de Rua, que ajuda na reinserção social de pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro.
E foi pelo projeto que ele saiu da rua para uma quitinete na Lapa. O pequeno imóvel está sendo custeado pelo projeto até que o técnico em mecânica consiga um lar definitivo.
O emprego também veio através da ação social. Logo ele vai se mudar para Santo André, em São Paulo, onde fica a empresa que o contratou.
“Aqui ninguém sabe que vim das ruas. Não escondo, mas não exponho. Consegui a vaga pelos meus méritos”, disse.
A relação com a família também mudou. Carlos se reaproximou da irmã e garante que logo que estiver completamente estabilizado, vai procurar os dois filhos.
Ajuda ao próximo
Carlos reconhece a importância dos trabalhos sociais, por isso se juntou ao pessoal do Amor de Rua.
Ele agora quer incentivar outras pessoas em vulnerabilidade e gerar oportunidades para elas também.
“Quero mostrar para eles (ex-companheiros de rua) que da mesma forma que Deus me abençoou, eles também podem ser abençoados”, concluiu.
Por Monique de Carvalho, da redação do Só Notícia Boa. – Com informações de IG

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