Ela sonhava atuar na indústria e hoje é soldadora na maior obra do país

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Karen sempre sonhou em ser soldadora e hoje trabalha na maior obra do Brasil - Foto: arquivo pessoal
Karen sempre sonhou em ser soldadora e hoje trabalha na maior obra do Brasil - Foto: arquivo pessoal

Uma mulher soldadora! Karen Affonso Arruda tinha um sonho incomum entre garotas: desde adolescente ela queria trabalhar na indústria. E sem nunca desistir desse projeto de carreira, a jovem de Lençóis Paulista, no interior de SP, hoje é referência e abriu as portas do setor para outras mulheres.

Atualmente, Karen presta serviços na JAN Soldagens Industriais, onde também é a primeira mulher soldadora. E em breve, ela espera atuar na ampliação da Usina São José.

“Eu não tive nenhuma inspiração ou referência, foi apenas uma paixão intensa que nem sei de onde veio! Quando vi já tinha feito vários cursos, até Mecânico Industrial e Montador de Andaimes”, conta Karen.

A história de Karen é surpreendente e inspiradora, mas até ela chegar aonde está hoje, precisou superar muito preconceito e outras dificuldades da profissão que escolheu.

O sonho

Logo que concluiu a escola, Karen entrou para a Escola Senai de Lençóis Paulista e realizou diversos cursos, entre os principais: Desenho Técnico Industrial e Soldagem de Manutenção.

E foi durante as aulas profissionalizantes que ela descobriu a maior paixão que tinha: queria ser soldadora.

Em 2007 Karen conseguiu o primeiro emprego, mas pela falta de oportunidades que era muito grande, ela aceitou trabalhar de graça para ganhar experiência. Na época, Karen auxiliava um rapaz na montagem de portões.

Quebrando tabus

Foi através do trabalho de auxiliar de serviços gerais, que a jovem soube do início da mega obra da maior fábrica de celulose mundo!

Ao saber da contratação de centenas de pessoas em diversas empresas que prestariam serviço durante a construção, ela foi atrás e se candidatou a uma delas!

“Eu fui até a empresa Irmãos Passaúra e me candidatei, porém não entrei para a vaga que era meu objetivo, mas sim como Auxiliar de Serviços Gerais”, lembra.

Mesmo trabalhando em uma área totalmente oposta ao que queria, ela resolveu arriscar. Karen começou a aproveitar a hora do almoço dela para aprender a soldar. Ela pedia ajuda para alguns soldadores, até que foi se desenvolvendo.

“Fiquei intimidada no início… As pessoas falam com muito preconceito quando falam dos ’peões’ de obra, principalmente quando sabem que muitos de lá são nordestinos que vieram em busca de uma oportunidade de vida. Porém eu fui muito bem recebida por todos!”

Foram três meses de “treinamento” e Karen até ganhou o apelido de Chaveirinho, por se tornar muito querida dos soldadores.

Foi então que surgiu uma oportunidade para soldador e a jovem resolveu fazer o teste. “Haviam outras mulheres na empresa, porém nenhuma na obra em si. Todas como encarregadas, técnicas de segurança, engenheiras, então eu fui a primeira “Peoa” hahaha!”  – Brinca Karen com satisfação contando a história.

Karen era a única mulher a trabalhar efetivamente na obra. Entre milhares de operários atuando diretamente na construção, ela se destacava pelo empenho e dedicação que tinha.

“Me diziam que era um serviço sujo, que outros operários agiriam com segundas intenções comigo. Porém na prática era o contrário. Fui tratado com muito respeito lá dentro, por cada um que trabalhei junto, e era valorizada por meu trabalho, viam meu esforço”, explica.

Futuro

Hoje Karen está no time de operários que começará a atuar na ampliação da Usina São José e planeja levar para outras mulheres a oportunidade que teve. Ela conta que faz questão de estender as mãos para todas que querem entrar no setor industrial.

“Não sei tudo ainda, e estou aprendendo novas técnicas, mas o pouco que eu sei quero passar adiante. Sei que vou ajudar e apoiar o sonho de alguém e vou dar todo o incentivo, assim como os soldadores dos lugares que passei me deram!” conta.

O próximo objetivo de Karen é se tornar a primeira Encarregada de Solda na empresa que atua, e quem sabe, na região.

Karen quer ser um exemplo para mulheres de todo o país. Uma referência de luta e dedicação, e acima de tudo, de superação de obstáculos que só existem pelo preconceito de ser mulher!

Karen sonhava em trabalhar na indústria desde os 16 anos - Foto: arquivo pessoal
Karen sonhava em trabalhar na indústria desde os 16 anos – Foto: arquivo pessoal
Ela aprendeu a soldar na hora do almoço - Foto: arquivo pessoal
Ela aprendeu a soldar na hora do almoço – Foto: arquivo pessoal

Com informações de Solutudo