De penacho, Indígena se forma em enfermagem para cuidar da própria comunidade

Uma das alunas recém-formadas no curso de enfermagem da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) é a Maiele Bispo de Souza. A presença dela na cerimônia, na semana passada, se tornou ainda mais especial pelo fato de a jovem ser a única indígena da turma. Uma super conquista!
Maiele é da etnia Xakriabá, do município de São Joao das Missões, no Norte de Minas. Ela se formou em enfermagem e ingressou na instituição pública pelo sistema de cotas. Segundo a jovem, o maior incentivo para ela escolher a área da saúde, foi poder levar mais qualidade de vida ao povo da tribo que nasceu e cresceu.
A enfermeira disse que os desafios para entrar na universidade e concluir o curso não foram poucos. “Durante o curso, tive momentos de lutas e vitórias. Enfrentei dificuldades e preconceitos, Mas sempre acreditei que iria conseguir (o diploma superior)”, afirma Maiele.
Importância das cotas
Maiele diz que sua conquista foi possível graças à política de cotas: “As cotas representam um dos grandes benefícios que nos indígenas já conseguiram. Acredito que o diferencial em relação às cotas é que elas ajudam a promover a diversidade ética em profissões que são ocupadas tradicionalmente por brancos”, disse.
“Não se trata de privilégio. As cotas visam, sobretudo, acabar e diminuir com as desigualdades sociais e o racismo estrutural resultante de anos de escravidão no Brasil, que ainda excluem negros e indígenas da Universidade, do mercado de trabalho e dos espaços públicos”, complementou.
Na solenidade realizada no Salão de Eventos da 11ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Maiele chamou atenção por carregar um símbolo da cultura indígena: ela usou um penacho por cima da beca.
Mais saúde para todos
Maiele tem um irmão mais velho, Maciel Bispo da Silva, que também cursou enfermagem em uma universidade pública pelas cotas. Com o diploma, ela sonha em voltar para a terra Xakriabá e poder implementar um programa de assistência à saúde para o povo dela.
“Vou retornar ao meu território e atuar nos cuidados junto à comunidade”, declarou. A indígena prometeu dar sequência aos estudos e se especializar nas áreas de saúde da família, do idoso e obstetrícia.
A etnia que totaliza 43 aldeias corresponde a mais de 70% da população de São Joao das Missões (13,2 mil habitantes), cidade de Minas com pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – 0,529.
Com informações de Estado de Minas

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