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Primo do dodô? Ave descoberta na Amazônia lembra a espécie extinta há 3 séculos

Rinaldo de Oliveira
09 / 12 / 2025 às 11 : 37
Pesquisadores brasileiros descobriram na Amazônia um pássaro que pode ser primo do dodô, ave extinta há 350 anos por não ter medo de humanos - Fotos: Luis Morais/Jacob Hoefnagel/Wikimedia Commons
Pesquisadores brasileiros descobriram na Amazônia um pássaro que pode ser primo do dodô, ave extinta há 350 anos por não ter medo de humanos - Fotos: Luis Morais/Jacob Hoefnagel/Wikimedia Commons

Pesquisadores brasileiros descobriram na Amazônia um pássaro que pode ser primo do dodô, uma ave extinta há 350 anos nas Ilhas Maurício que é conhecida por ser muito dócil e não ter medo de seres humanos.

O Tinamu-de-máscara-ardósia foi descoberto no topo da Serra do Divisor, no Acre, uma cadeia montanhosa isolada na fronteira entre Brasil e Peru. A descrição científica dele foi publicada na semana passada pela revista centífica Zootaxa.

A população estimada do tinamu na região é de pelo menos de 2 mil indivíduos. Porém, o fato de não ter medo de humanos pode colocá-lo em risco novamente, como aconteceu como dodô.

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Onde foi encontrado

O estudo diz que o tinamu, também chamado de sururina-da-serra, foi registrado a mais de 300 metros de altitude, em uma área isolada no topo da Serra do Divisor, em Mâncio Lima, no extremo oeste do Acre.  A equipe passou três anos em busca do tinamu, após registrar seu canto pela primeira vez em outubro de 2021. Os pesquisadores disseram que, além da raridade, o comportamento da ave chamou a atenção.

Expedições realizadas de 2024 a 2025 encontraram a ave caminhando tranquilamente pelo sub-bosque, sem demonstrar reação à presença humana. Em vários momentos, alguns dos pássaros chegaram a se aproximar da equipe.

“Uma coisa que diferencia ela é que ela não tem medo do ser humano como outros inhambus [Tinamu]. São aves terrestres que sofrem pressão de caça. As comunidades tradicionais costumam caçar aves dessa família para se alimentar”, disse Ricardo Plácido, pesquisador que participou da descoberta.

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E ele fez um alerta:

“Apesar de ser um parque, vai ser preciso um esforço de conservação dessa espécie por parte do poder público e da comunidade local porque por ela não ver o ser humano como uma ameaça, isso pode torná-la vulnerável até para biopirataria”, afirmou ao g1.

E também tem a questão da mudança climática que preocupa a respeito do provável primo do dodô da Amazônia:

“O habitat que ela vive e a altitude são áreas que são mais vulneráveis a alterações de temperatura […] se a temperatura da terra aumentar como vem acontecendo, a médio prazo pode ocasionar a extinção da espécie. Já tem vários estudos de cientistas que apontam que essas áreas mais altas são vulneráveis ao aumento da temperatura global. E as árvores podem definhar e modificar o tipo de ambiente. E isso pode afetar justamente o modo de vida dessa espécie que vive no chão sombrio da floresta”, alertou Ricardo Plácido.

Agora, o grupo que assinou a descrição da espécie trabalha para que o tinamu-de-máscara-ardósia seja oficialmente reconhecido em listas de fauna ameaçada, o que permitiria estabelecer medidas de proteção ao pássaro.

O pássaro que pode ser primo do dodô, descoberto na Amazônia. - Foto: Luis Morais/Arquivo pessoal
O pássaro que pode ser primo do dodô, descoberto na Amazônia. – Foto: Luis Morais/Arquivo pessoal
O dodô, ave extinta da natureza há 350 anos devido à ação humana — Foto: Jacob Hoefnagel/Wikimedia Commons
O dodô, ave extinta da natureza há 350 anos devido à ação humana — Foto: Jacob Hoefnagel/Wikimedia Commons
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