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Orelha: como software francês ajudou a localizar autor da agressão ao cachorrinho

Monique de Carvalho
05 / 02 / 2026 às 11 : 31
Graças a um software estrangeiro, a polícia de SC conseguiu identificar os envolvidos na morte do cão Orelha - Foto: redes sociais
Graças a um software estrangeiro, a polícia de SC conseguiu identificar os envolvidos na morte do cão Orelha - Foto: redes sociais

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, e apontou um adolescente como autor da agressão. Um dos elementos usados para sustentar a acusação foi um software francês de geolocalização, que indicou a presença do jovem na área do ataque no horário do crime.

Segundo os investigadores, a ferramenta tecnológica foi usada para cruzar dados de localização com imagens de câmeras de segurança e depoimentos colhidos ao longo da apuração. A polícia afirma que a análise reforçou a conclusão de que o adolescente estava fora do condomínio onde mora no momento da agressão, em contradição ao que havia declarado.

Além do uso do software, a investigação reuniu laudos periciais, análise de imagens e relatos de testemunhas. O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, com pedido de internação do adolescente.

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Uso de tecnologia estrangeira na apuração

De acordo com a Polícia Civil, os dados de localização foram obtidos por meio de um software francês especializado em georreferenciamento. A ferramenta permitiu identificar a movimentação do adolescente na madrugada do crime e situá-lo na região da Praia Brava no intervalo investigado.

Os investigadores explicam que o recurso tecnológico não foi utilizado de forma isolada. As informações de localização foram comparadas com registros de câmeras de segurança e com os horários informados pelo próprio jovem em depoimento. A polícia afirma que a convergência desses dados ajudou a consolidar a linha de investigação.

A corporação não divulgou detalhes técnicos do software, mas informou que a ferramenta é utilizada em investigações que exigem análise precisa de deslocamento e presença em determinados locais.

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A madrugada do ataque

Segundo a Polícia Civil, o ataque ocorreu na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha de Santa Catarina. Laudos da Polícia Científica indicam que Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, compatível com um chute ou com o uso de um objeto rígido, como madeira ou garrafa.

O cachorro foi encontrado ferido por moradores no dia seguinte e levado a uma clínica veterinária. Apesar do atendimento, não resistiu à gravidade dos ferimentos, e a eutanásia foi realizada por indicação médica.

Os laudos periciais foram incluídos no inquérito como parte do conjunto de provas analisadas pela equipe responsável pela investigação.

Análise de imagens e depoimentos

Para chegar à autoria, a Polícia Civil informou ter analisado mais de mil horas de imagens de 14 câmeras instaladas na região da Praia Brava. Ao longo da investigação, 24 testemunhas foram ouvidas.

Inicialmente, quatro adolescentes chegaram a ser apontados como possíveis envolvidos. Com o avanço das apurações, esse número subiu para oito investigados. Ao final, a polícia solicitou a internação de apenas um deles, com base no conjunto de provas reunidas.

Segundo a corporação, a filtragem dos suspeitos ocorreu de forma gradual, conforme novos dados eram incorporados à investigação.

Contradições no depoimento

A Polícia Civil afirma que o adolescente saiu do condomínio onde mora às 5h25 e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga. Esses horários teriam sido confirmados por registros de câmeras de segurança do local.

Em depoimento, no entanto, o jovem declarou que permaneceu dentro do condomínio durante esse período, na área da piscina. Segundo os investigadores, o adolescente não tinha conhecimento prévio de que a saída havia sido registrada, o que levou a polícia a classificar o relato como contraditório.

As divergências entre o depoimento e os registros visuais foram consideradas relevantes para a conclusão do inquérito.

Orelha e a convivência na Praia Brava

Orelha vivia havia aproximadamente dez anos na região da Praia Brava e era conhecido por moradores e comerciantes locais. Considerado um cão comunitário, circulava livremente pelo bairro e recebia alimentação e cuidados básicos de diferentes pessoas.

Após a morte do animal, houve mobilização de moradores, com manifestações públicas e pedidos de esclarecimento sobre o caso. A polícia afirma que esse contexto reforçou a necessidade de uma investigação detalhada e técnica.

Segundo os investigadores, a repercussão não interferiu nos procedimentos adotados, que seguiram os protocolos previstos para apuração de maus-tratos a animais.

Caso Caramelo e outros indiciamentos

Além da morte de Orelha, a polícia concluiu a investigação sobre maus-tratos ao cão Caramelo, ocorrido no mesmo dia. Segundo o inquérito, o animal teria sido levado ao mar e submetido a uma tentativa de afogamento.

Nesse episódio, quatro adolescentes foram responsabilizados. Três adultos também foram indiciados por coação a testemunha relacionada à investigação da morte de Orelha.

Os dois casos foram encaminhados separadamente às autoridades competentes.

 

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