Exame de sangue pode detectar Alzheimer 10 anos antes

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Foto: Zholobov Vadim/Shutterstock.com
Foto: Zholobov Vadim/Shutterstock.com

Já é possível detectar o Alzheimer em seu estágio inicial, com 100% de precisão, 10 anos antes de a doença provocar danos sérios ao cérebro.

O que isso tem de bom? É que quanto mais cedo começa o tratamento, melhores são as chances do paciente.

O novo diagnóstico pode ser feito em um simples exame de sangue, que teve sua “prova de conceito” concluída no mês passado.

“É comumente aceito atualmente que as mudanças relacionadas ao Alzheimer começam no cérebro pelo menos uma década antes do surgimento de sintomas reveladores”, diz Robert Nagele, membro da equipe, da Universidade de Rowan, nos EUA.

“Pelo nosso conhecimento, esta é a primeira análise de sangue utilizando biomarcadores de auto-anticorpos que podem detectar com precisão a doença de Alzheimer em um ponto mais cedo no decurso da doença, quando os tratamentos são mais suscetíveis a serem benéficos – isto é, antes que uma devastação muito grande do cérebro ocorra”, lembra.

O teste

O teste foi concebido para detectar uma fase precoce da doença chamada Leve Comprometimento Cognitivo de Alzheimer (MCI, na sigla em inglês), e distingui-la de casos similares de declínio mental que são causados por outros fatores, como problemas vasculares, depressão crônica, abuso de álcool e efeitos colaterais de certas drogas.

Para o teste, Nagele e sua equipe recolheram amostras de sangue de 236 participantes, incluindo 50 que tinham sido diagnosticados com MCI, 50 com doença leve a moderada de Alzheimer, 50 pessoas saudáveis, e o restante tinha sido diagnosticado com doença leve a moderada de Parkinson, uma fase precoce de Parkinson, esclerose múltipla ou câncer de mama.

Os pacientes com MCI tinham sido diagnosticados com base em níveis baixos de beta-amilóide 42 peptídicos no líquido cefalorraquidiano, que tem sido identificado como um predecessor da rápida progressão do Alzheimer.

Para analisar o sangue, o teste utiliza uma série de microarranjos de proteínas humanas – catálogos de 9.486 proteínas únicas – para atrair auto-anticorpos no sangue que podem estar ligados à doença.

Parkinson, esclerose e câncer

Os investigadores identificaram os 50 melhores biomarcadores de auto-anticorpos para MCI e outras doenças diagnosticadas em seus participantes, e quando os usaram para analisar as amostras de sangue, descobriram que eram 100% precisos na taxa global de precisão, sensibilidade e especificidade na detecção de amostras de sangue com MCI.

Usando este método, o teste também foi bem sucedido na detecção de Alzheimer precoce e moderado (98,7%), da fase inicial do Parkinson (98%), esclerose múltipla (100%) e câncer da mama (100%).

A equipe diz que, embora esses resultados sejam animadores, eles precisam testar o método em uma amostra muito maior e mais diversificada, para ver se a média de 100% oscila com dados adicionais.

Embora saber que você tem Alzheimer mais cedo do que mais tarde não vai impedi-lo de desenvolver a doença por completo, poderia dar aos pacientes a oportunidade de se inscrever para ensaios clínicos de novos medicamentos e tratamentos, planejar cuidados médicos futuros, e até mesmo explorar formas de ajudar a retardar sua progressão, define a equipe de pesquisadores.

O Alzheimer é responsável por 50% a 80% dos casos de demência no mundo, o que mostra que testes como este são extremamente necessários. Talvez, se conhecermos melhor esta doença em seus estágios iniciais, podemos ser capazes de descobrir como ela começa e como preveni-la.

Com informações do Science Alert