USP cria fita adesiva anestésica: substitui injeção

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Fotos: arquivo pessoal / Renê Oliveira do Couto
Fotos: arquivo pessoal / Renê Oliveira do Couto

A injeção do dentista, temida por muitos, pode estar com os dias contados!

Cientistas da USP de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, criaram uma fita adesiva que anestesia o paciente por 50 minutos, sem necessidade de picada.

Estudos feitos pelos departamentos de farmácia e odontologia da universidade mostram que a fita pode ser usada em procedimentos menos invasivos

“O produto pode ser efetivo em microcirurgias, extração de dentes de leite em crianças e raspagem e curetagem dental em adultos”, disse Renê Oliveira do Couto, farmacêutico e integrante do grupo, ao jornal da USP.

O materia é biocompatível e biodegradável.

Parte da pesquisa foi publicada nas revistas Colloids and Surfaces B: Biointerfaces e Biomedical Chromatography.

“Ele tem um efeito anestésico muito satisfatório, eliminando o uso de agulha,” disse ao G1 Paulo Linares Calefi, um dos pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp).

História

A estudo começou em 2012, porque muita gente – até hoje – demonstra medo da agulha nos consultórios.

Os pesquisadores criaram um filme mucoadesivo feito a partir da hidroxipropilmetilcelulose (HPMC), um polímero de baixo custo derivado da celulose vegetal já usado nos setores de farmácia, cosméticos e alimentos.

“Estávamos pesquisando géis filmes para colocar dentro de bolsa periodontal pra tratar doença periodontal e aproveitar esses mesmos géis pra ver se funcionavam carregados com anestésico que a gente usa normalmente pra tratar o paciente”, explica.

A fita que substitui a injeção é colocada sobre a gengiva e libera um anestésico que, aos poucos, atinge o tecido ósseo e o dente.

Os efeitos começam a ser sentidos após cinco minutos, atingem seu auge entre 15 e 25 minutos e permanecem por 50 minutos.

O dispositivo tem formato circular para se adaptar melhor à anatomia da boca e para facilitar a aplicação, segundo Paulo Calefi.

Testes feitos em pacientes, com a fita e também com placebo, confirmaram a eficácia do produto. Quem recebeu a fita adesiva afirmou ter zerado o incômodo.

Além do efeito psicológico sobre os pacientes, a agulha representa um risco à saúde de quem trabalha diariamente com ela nos consultórios.

“O risco é muito alto de se cortar ou perfurar com agulha contaminada. Se o paciente tiver hepatite, HIV, doenças que são transmissíveis pelo sangue, é um risco muito grande de ter de usar o coquetel por um tempo ou até de a pessoa ficar doente”, afirma.

Vendas

A tecnologia ainda está em fase de registro de patente e tem previsão de chegar ao mercado em até cinco anos.

“O que fizemos hoje foi o desenvolvimento do sistema de liberação. Agora nós passaremos para uma segunda fase que é o desenvolvimento industrial desse produto”, diz.

A ideia é continuar desenvolvendo o adesivo para que ele também seja aplicado em intervenções mais profundas como cirurgias de canal.

Os pesquisadores estimam de um a cinco anos para que a inovação chegue ao mercado e seja produzida em escala industrial.

Com informações do G1 e JornalDaUSP