Loja dá emprego a idosas: tricô, crochê e vida nova

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Foto: reprodução / Facebook||||
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Uma designer e um psicólogo criaram um projeto inteligente, que está dando vida nova a idosas, senhoras com mais de 65 anos.

É o A Avó Veio Trabalhar, que reúne idosas para produzir objetos de design feitos com tricô,  crochê e bordados.

Quem passa pelo número 124 da Rua do Poço dos Negros, em Portugal, olha pela vitrine se depara com um grupo de senhoras ativas. concentradas nas agulhas e felizes da vida.

O entra e sai de avós na loja-ateliê é intenso. Umas vão pegar linhas para novos projetos, outras chegam para aprender novos pontos de bordados. Elas não param, nem a conversa.

As vovós falam, riem, implicam umas com as outras. Sem juízo de valor, religiões ou ideologias, a alegria na loja contagia e reverbera.

E elas não ficam anônimas.

Cada peça tem uma etiqueta com foto e a história da avó envolvida naquela produção.

Cada coleção tem uma avó embaixadora, que empresta seu rosto para as campanhas promocionais.

“Nas sessões fotográficas, elas deixam de ver suas rugas, ficam sempre surpreendidas”, comenta Ângelo.

Foto: reprodução / Facebook
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História

A iniciativa nasceu em setembro de 2014, para reintegrar idosos do Cais do Sodré a uma vida em comunidade, longe dos programas sociais tradicionais.

Os criadores foram a designer Susana António – que voltou de uma temporada em Milão com vontade de fazer algo pelo design português – e o psicólogo Ângelo Campota tocado com a questão da ocupação do tempo na Terceira Idade.

A Avó Veio Trabalhar começou com 12 integrantes criando luvas em cores que as senhoras não costumam usar – como tons fluorescentes – e sugerindo bordados que elas mal conheciam, como caveiras mexicanas.

O projeto fechou aquele ano com 30 participantes.

“Elas começaram a convidar vizinhos e amigos e o grupo foi crescendo”, conta Ângelo.

Os passos mais largos começaram quando o projeto se expandiu para a loja-ateliê, com vitrine na Rua do Poço dos Negros.

“Com a loja, começam a chegar novas avós. Muitas vezes as famílias passam, conhecem o projeto e depois trazem a avó”, explica Ângelo.

Hoje ele coordena o trabalho de 70 avós em três pólos do projeto (no Centro Dia de São Paulo, onde tudo começou; na Poço dos Negros e em Campo de Ourique).

São pessoas, segundo ele, que querem se manter ativas sem passar o tempo se preocupando com a ideia de estarem no final da vida. “Muitas preferem estar aqui do que em casa”, diz Ângelo.

Foto: reprodução / Facebook
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Moderninhas

Depois do novo trabalho elas começaram a se envolver em diversos projetos da cidade, como o festival de cinema DOC Lisboa, o fim de semana cultural Festival Silêncio e até mesmo a marcha LGBT da cidade.

“Havia uma senhora de 80 anos lutando pelos direitos dos homossexuais. Elas deixam de estar adormecidas, crescem como pessoas”, orgulha-se Ângelo, que diz que “é nos lugares mais estranhos que as avós querem estar”.

A média de idade das avós do projeto é de 75 anos.

A ‘linha de corte’ fica nos 65 anos e há apenas uma avó mais nova do que isso, com 57 anos, fisicamente debilitada.

Na outra ponta, a mais velha do grupo já passou dos 90 anos.

Mercado

A peças das avós conquistaram espaços de respeito. Foram para a loja da Fundação Serralves e as filiais da Vida Portuguesa.

E também foram para fora de Portugal.

No ano passado as avós participaram da Bienal Ibero-americana de Design, em Madri.

Depois viajaram para Budapeste, Amsterdã e São Paulo.

Almofadas produzidas pelas vovós - Foto: reprodução / Facebook
Almofadas produzidas pelas vovós – Foto: reprodução / Facebook

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Com informações do AlmostLocals