Remédio da idade média é usado contra super bactérias e dá certo

Foto: Universidade de Warwickk
Foto: Universidade de Warwickk

Cientistas da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, recriaram um remédio usado na Idade Média que demonstrou eficácia contra infecções atuais no combate à super bactérias.

O estudo foi  publicado na última terça-feira, 28, no Scientific Reports e o remédio medieval é conhecido como “Bald’s eyesalve”, ou lírio de Bald”.

A fórmula do remédio foi encontrada pela Dra. Freya Harrison na Biblioteca Britânica, em um dos primeiros textos médicos conhecidos escrito em inglês antigo: o “Bald’s Leechbook”, Livro dos parasitas de Bald.

Resultados

Os resultados dos estudos, comprovam que o efeito bactericida do remédio antigo se estende contra vários tipos de bactérias que tendem a formar biofilmes em ferimentos.

Os biofilmes são comunidades de bactérias que produzem uma matriz extracelular protetora e são resistentes aos antibióticos.

A pesquisadora Jessica Pardoe e seus colegas definem esta descoberta como “de fundamental importância”, uma vez que as infecções associadas aos biofilmes representam uma área particularmente problemática.

Estas infecções de difícil tratamento ameaçam desde o êxito das cirurgias de rotina até certas terapias contra o câncer.

Alho

O estudo também revelou que a potente atividade antibiofilmes do colírio de Bald não pode ser atribuída apenas a um ingrediente, como por exemplo, ao alho, mas que requer a combinação de todos os ingredientes do antigo remédio.

Por isso, os autores destacam “a necessidade de explorar não apenas os compostos individuais, como também mesclas de produtos naturais para o tratamento de infecções por biofilmes”.

O colírio de Bald mostrou-se particularmente promissor para o tratamento das infecções associadas aos pés dos diabéticos.

“[Estes casos] realmente, podem se tornar impossíveis de tratar. Existe um alto risco de que estas úlceras do pé diabético sejam completamente resistentes a qualquer tratamento com antibióticos. Logo, existe o risco de uma pessoa desenvolver sepse […] tendo que amputar um pé ou uma perna,” explicou a Dra Freya Harrison, da Universidade de Warwick, idealizadora do estudo.

Com informações do Diário da Saúde