Triatleta que ficou tetraplégico se recupera e treina todo dia aos 72 anos

Norberto Worobeizyk no remo e na academia - Fotos: arquivo pessoal
Norberto Worobeizyk no remo e na academia - Fotos: arquivo pessoal

Sobre não desistir de si mesmo. A história de superação do triatleta Norberto Bruno Worobeizyk é uma verdadeira inspiração. O argentino estava montando uma empresa no Brasil em 2004, quando foi atropelado por um motorista bêbado e ficou tetraplégico, aos 56 anos de idade.

“Um bêbado com uma Land Rover 4×4, a 80 quilômetros por hora não respeitou a placa de pare, passou por cima de mim e acabou com meus sonhos presentes e futuros”, disse Noberto em entrevista ao Só Notícia Boa.

Ele estava num moto-táxi quando foi atingido. O atropelamento foi no Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Profissional de Comércio Exterior e Marketing Internacional, o triatleta – que foi vice-campeão argentino na categoria salva-vidas, treinador de windsurf, treinador de esqui aquático e personal trainer – de repente se viu sem movimentos, numa cama.

Ele foi socorrido, ficou 15 dias sem memória, teve infecção hospitalar e os médicos queriam amputar uma das pernas de Norberto.

“Quando minha perna ia ser amputada, minha companheira Claudia, junto com meu filho Javier, me transferiram para Curitiba, onde verdadeiros profissionais salvaram a minha vida e minha perna direita”, contou.

Norberto passou por “sete cirurgias, após um trauma na medula espinhal e múltiplas fraturas expostas da minha perna direita. […] Tenho uma barra de titânio intramedular dentro do osso, do joelho ao tornozelo”.

A virada

Quando parecia tudo acabado, ele teve uma surpresa:

“Um dia, olhando para a minha mão direita, consegui mover meu dedo um milímetro. Foi o início de uma nova etapa inesperada. Chamamos o fisioterapeuta com urgência e começamos com um treinamento de recuperação. Fazia exercícios diferentes todos os dias para mover meus membros atrofiados”, contou.

Aos poucos ele conseguiu ficar de pé, começou a andar com um andador, depois com muletas e quanto teve alta, continuou se exercitando em uma academia. Ele começou a andar sozinho quase dois anos após o acidente e entrou na academia no colo dos professores.

“Deixei de ser tetraplégico […] São muitos os casos reversíveis que, com vontade, esforço, sacrifício e sobretudo com muito amor, podem ser resolvidos”, afirmou.

Ele conta que para se recuperar usou o conhecimento dos treinos de triatleta mais “força de vontade, espírito e desejo de não morrer”.

Positivismo

Passados 17 anos desse verdadeiro pesadelo, Norberto está firme e forte aos 72 anos, vivendo na Argentina com o amor da vida dele, a Claudia, mulher que largou o emprego, cuidou e viu o marido se levantar.

Hoje o Norberto é um adepto do positivismo. Ele adora ler notícia boa – sim, é leitor do nosso portal direto da Argentina – e vive transmitindo determinação para as pessoas que o seguem nas redes: “não desistir tão facilmente”, ensina.

Apesar de não competir mais e de sentir dores diárias na perna, ele se exercita de duas a três horas todos os dias: [Faço] “natação, musculação, spinning, caminhada, arqueria e remo”.

Ele também dissemina a importância do esporte “para ter sentimentos e atitudes positivas. Esse tipo de pensamento, sem dúvida, fará a diferença entre se recuperar ou não, viver ou morrer”.

E ensina que a alimentação saudável, que faz há anos, também ajudou na recuperação.

Norberto brinca que tem duas idades: 72 anos nos documentos e 28 na cabeça.

“Pela minha aparência física atual e pelos resultados das minhas atividades, considero que a minha atual idade cognitiva e mental biológica é de 28 anos, até que alguém prove o contrário”, concluiu

Norberto andando de bike - Foto: arquivo pessoal
Norberto andando de bike – Foto: arquivo pessoal

Una Historia de Superación – Norberto Bruno Worobeizyk from Norberto Bruno Worobeizyk on Vimeo.

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do Só Notícia Boa