SP realiza 1º transplante de pulmão bem-sucedido no país após Covid

A medicina brasileira deu mais um passo este ano. Um transplante de pulmão inédito em nosso país foi realizado em São Paulo, pela equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein.
O paciente é o empresário alagoano José Hipólito Correia Costa, de 61 anos. Ele teve o órgão destruído pela Covid-19, com uma fibrose irreversível.
O transplante aconteceu em fevereiro e só foi divulgado agora, por decisão médica. O paciente teve uma boa recuperação e já segue uma rotina normal.
Procedimento inédito
A cirurgia do José Hipólito é muito comemorada. Um outro paciente já tinha passado pelo procedimento antes, mas não resistiu. No mundo, foram documentados cerca de 50 transplantes desde o início da pandemia.
“Se não tivesse ocorrido o transplante, certamente o paciente já teria morrido”, diz o cirurgião torácico Marcos Samano, coordenador de transplante pulmonar do Einstein e professor da USP.
A cirurgia demorou dez horas e envolveu sete profissionais. O paciente ainda ficou conectado a duas Ecmos simultâneas: a que ele já estava ligado antes e outra usada durante o transplante.
“Para a alegria geral, os dois equipamentos foram desconectados logo após o procedimento”, afirma Dr. Marcos.
Recuperação
José Hipólito está internado há 7 meses e espera logo receber alta. Ele já respira normalmente sem a ECMO, após ficar ligado à máquina durante 88 dias antes da cirurgia.
A recuperação, no entanto, envolveu altos e baixos. Ele perdeu massa muscular, teve complicação neurológica e convulsões, com rebaixamento do nível de consciência, devido ao uso das medicações imunossupressoras.
“Foi o ponto de maior preocupação, mas, depois de alguns dias, ele se recuperou bem”, diz o médico.
Com a saúde indo bem, José faz planos para o futuro. Ele diz que, assim que tiver alta, quer voltar a andar na orla de Maceió. “Quero caminhar na Ponta Verde, Pajuçara, Jatiúca, que é o que eu adoro na vida. E quero voltar a fazer o Caminho de Santiago ainda este ano.”
Para ele, as caminhadas são formas de autoconhecimento. “Dá uma paz interna, eu converso comigo mesmo.” Questionado sobre o qual o melhor momento nos sete meses de internação, não titubeou: “Será a minha alta”.
O caso de José Hipólito levantou vários debates técnicos e éticos. Entre os pontos levantados estão as condições reais e necessárias para um paciente passar por esse transplante com risco mínimo.
Com o sucesso da cirurgia, a equipe do Albert Einstein tem esperanças de seguir com o procedimento em outros pacientes.
Por Monique de Carvalho, da redação do Só Notícia Boa. – Com informações de Jornal de Brasília.

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