Dona Beja: Grazi Massafera se supera e empoderamento feminino da cortesã é sucesso no mundo; vídeo

A conclusão sobre a nova versão de Dona Beja é que ela não foi apenas uma linda cortesã. Preconceitos à parte, é sobre ser mulher 200 anos atrás e conseguir poder e coragem para se impor e ser respeitada num mundo machista, misógino e covarde. Nisso, Grazi se superou como atriz, deu um show de interpretação, de beleza e de entrega à personagem. O resultado é impactante.
Mas o que mais me impressionou foi como o autor da história, Daniel Berlinsky, conseguiu trazer temas tão atuais numa novela de época, que se passa entre os anos 1800 e 1873, há mais de 200 anos. A história, inspirada no clássico da extinta TV Manchete, fala de temas caros pra sociedade como racismo, machismo, feminismo, feminicídio, homossexualidade, homofobia, celibato e o tabu de mulher mais velha se apaixonar por homem 40 anos mais jovem.
Os personagens incríveis, vividos por um grande time de atores, prendem a gente na tela durante os 40 capítulos da novela. Além de Grazi, destaque para atuação brilhante da Indira Nascimento, que faz a Maria, uma mulher preta que acha que vai para o inferno por ser apaixonada pela Beja, que foi noiva do irmão da Maria, o Antonio. E Maria faz de tudo pra tentar se livrar dessa culpa que sente pelo amor não correspondido.
Outros personagens marcantes
A Severina, que personagem doce e corajosa. Ela é uma mulher trans meiga – vivida pelo ator não-binário Pedro Fasanaro – que foi salva de ser queimada na fogueira pela Beja. E a gratidão faz a Severina se tornar a maior protetora, amiga e sócia da Beja no bordel de Araxá (MG).
Outro que se sobressai na trama é o Fortunato, um jovem que se ajoelha no milho e pede pra Deus pra não sentir desejos homossexuais. Vivido pelo ator João Villa, ele tem uma história de amor escondida com um delegado de polícia, que chega a doer no coração.
O Coronel felizardo, vivido por tucá Andrada, rende momentos de tensão e gargalhadas na trama. É um homem valentão que bate e humilha mulheres , mas na cama gosta de ser possuído como se fosse uma cortesã. A Ceci, da Deborah Evelyn, é outra controversa: uma mãe toda religiosa que é racista e não aceita os filhos pretos que teve com o Marido. Depois vira alcoólatra e se apaixona por um garotão preto.
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Liberdade e igualdade
A novela fala de amor, liberdade, de igualdade e mostra como era o racismo do século 19, pra gente refletir o que mudou de lá pra cá.
Eram tempos de machismo explícito, mulher não tinha voz e era humilhada e agredida em praça pública. Hoje como é nas redes sociais?
O feminicídio também era comum pra lavar a honra do homem na época, hoje 4 mulheres são mortas por dia no Brasil. O isso tem de notícia boa? Abrir os olhos da gente pra reagir e forçar o país a mudar e melhorar. É a arte mostrando que ainda temos muito para evoluir ainda.
A história de Beja
Dona Beja conta a história real de Ana Jacinta de São José (1800–1873), uma adolescente que foi sequestrada e abusada por um ouvidor rei quando tinha 16 anos de idade. Naquela época casamento de criança e adolescente já acontecia. O nome disso? Pedofilia, um crime que continua. Hoje tem pelo menos 34 mil casos assim no Brasil.
A novela mostra que o mundo pertence e é comandado e dominado por homens. Homens hipócritas que se escondem atrás das batinas, mas não seguram seus desejos sexuais.
Homens corruptos, que se escondem atrás das togas da justiça e usam as leis em benefício próprio. Homens machistas que humilham e agridem mulheres, homossexuais e transexuais nas ruas, mas escondidos, em quatro paredes, realizam os desejos que não conseguem assumir pra eles mesmos. Mulheres que escondem segredos íntimos durante décadas pra manter casamentos falidos.
Olhar progressista
Tudo no olhar progressista e ousado da dona Beja, uma cortesã que defendia a liberdade para todos os seres humanos. E ficou milionária oferecendo o próprio corpo a coronéis, pra se vingar das mulheres deles que escorraçaram a Beja por ser impura.
Mas de tento apanhar nessa vida ela vai perdendo a doçura para a sede de vingança.
Parece pesado né? Mas a novela tem personagens hilários que aliviam e tiram boas risadas durante trama.
Personagens divertidos
Entre eles, tem um juiz covarde e corrupto que tem medo da mulher. É o Costa Pinto, vivido pelo ator Otávio Müller. A esposa dele, Dona Augusta – interpretada pela atriz Kelzy Ecard – é uma senhora beata de carteirinha que coloca a Bíblia embaixo do braço e usa o nome de Deus para acusar, xingar e diminuir pessoas fora dos padrões da sociedade, inclusive a própria filha dela que vive acima do peso, a Carminha.
Carminha – interpretada por Catharina Caiado – garante momentos de leveza e diversão na trama ao se apaixonar e se entregar a um jovem que vive bêbado nas ruas, o Honorato, vivido pelo ator Gabriel Godoy.
Figurino nota 10
Aplausos também para o figurino que é muito rico as roupas e nas joias,
Também para sensibilidade da direção da novela.
O tratamento das cenas de momentos de nudez e de amor parecem poesia na trama. Algumas são mais picantes, é verdade.
Sucesso em 40 países
Dona Beja, que teve os últimos capítulos exibido nesta segunda, 23, é uma ode ao empoderamento feminino.
Mostra que Mulher não precisa de príncipe para ser inteira, mas que precisa ser forte e inteligente pra conseguir respeito e poder nesse mundo masculino.
Talvez por isso tudo é sucesso em 40 países. Está no top 10 mundial da HBO Max.
Assista ao video da análise de Dona Beja:
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