Corrente do bem transforma sonho de casal para ajudar crianças

Alunos da Escola de Valores/PR - Foto: reprodução
Alunos da Escola de Valores/PR - Foto: reprodução

“Eu não vou mudar o mundo, mas posso mudar o mundo de uma pessoa”. A frase é de Marcelo Casanova, que, em 2009, tinha um sonho junto com a mulher, Maria Luisa: ajudar crianças carentes da região onde moram, em Londrina, no Paraná. Mas, na época, eles não sabiam como começar.

E o primeiro passo simples dos dois, que foi doar verduras, provocou uma corrente do bem tão grande, que o sonho acabou se transformando em algo muito maior: a Escola de Valores (Galera de Deus), sem vínculo religioso, nem político.

“Eles nem imaginavam que a vontade de ajudar o próximo se tornaria a missão de uma vida inteira e que deixaria um legado tão grande e profundo na comunidade em que vivem!”, afirmam Iara e Eduardo, Caçadores de Bons Exemplos, que se encantaram quando visitaram o projeto.

Eles viram de perto o poder de impacto que boas ações desencadeiam numa sociedade.

Começaram com verduras

O trabalho do casal Marcelo e Maria Luisa Casanova, começou quando os dois se encontraram e descobriram que ambos tinham uma vontade gigantesca de fazer mais pelas pessoas que estavam em situação vulnerável perto deles.

Eles começaram aos poucos, fazendo o que dava nas horas livres e, durante a caminhada descobriram que o pouco não estava saciando o coração dos dois.

Marcelo então decidiu que era hora de se entregar de verdade àquilo que ele acreditava ser o propósito da sua vida.

Saiu do seu emprego e começou a fazer compras de verdura e comidas para famílias que conhecia toda semana.

De tanto ir sempre ao mesmo mercado, o gerente do lugar reconheceu que naquelas compras deveriam existir outras motivações, além de abastecer uma única família.

“O gerente perguntou se eu era dono de restaurante, se tinha comércio ou algo do tipo. Respondi para ele que não, na verdade eu ajudava na manutenção de outras pessoas”

“Na hora, ele olhou e me perguntou se eu aceitaria ser ajudado com as verduras e frutas que não pudessem ser vendidas, mas que ainda pudessem ser consumidas. Logicamente, aceitei!”.

“Dali em diante o trabalho se escalou de uma forma estrondosa, o que achávamos que seria 40kg de comida, se transformou em mais de 300kg por dia, que eram confiados a nós”, lembra emocionado Marcelo.

A escola

Das rotas de distribuição de comida, nasceu um vínculo com a comunidade e uma relação gigantesca de confiança, que motiva e garante frutos até hoje para quem mora ali.

Outro desejo que nasceu nas ruas percorridas com a caminhonete carregada, foi o de ter um lugar onde as crianças que estavam nas ruas pudessem ficar seguras, ter acesso ao amor e à educação.

E foi isso que eles encontraram quando viram um lote abandonado.

“Quando eu vi o lote vazio, só pensava nas crianças ali, correndo, tudo gramado. As pipas voando e a transformação acontecendo!”, diz Marcelo.

Assim, a Escola de Valores nasceu, com dezenas de crianças atendidas, entre 5 e 12 anos, para dar a elas acesso à educação, esporte, cultura, apoio e muito amor e cuidado.

Mudar o mundo

Maria Luísa é doutora em Psicologia e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e idealizou parte do trabalho da Escola de Valores (Galera de Deus), como um projeto de extensão da UEL, o que garante desde transporte gratuito para as crianças da escola até o próprio projeto e a presença de estagiários de Psicologia e Pedagogia.

“Todas as mudanças que o projeto conseguiu realizar na vida dessas crianças em situação de vulnerabilidade social, em Londrina, deram credibilidade e confiança para as pessoas da sociedade, que se prontificaram a ajudar por meio de doações e voluntariado”.

“Nós vivemos de doações. Quando a gente dá algo para uma criança e percebe que isso transforma a vida dela, então a gente começa a mudar o mundo”, conclui Marcelo.

Marcelo e Maria Luisa com alunos - Foto: divulgação
Marcelo e Maria Luisa com alunos – Foto: divulgação

Por Rinaldo de Oliveira, da redação do SóNotíciaBoa – com Caçadores de Bons Exemplo