Búfalas de Brotas: justiça manda ex-tutores pagarem R$ 55 mil para ONG

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Por Monique de Carvalho
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Os ativistas Alex Parente e Antilia Reis atuam no cuidado das búfalas (Foto: Arquivo pessoal)

Aos poucos, a justiça vem sendo feita para as búfalas resgatadas em Brotas – e seus 60 filhotes que nasceram – após o maior episódio de maus tratos de animais da história do Brasil.

Dessa vez, os juízes do caso determinaram que os antigos tutores paguem mensalmente R$ 55 mil para custear parte do tratamento e manejo das búfalas, que vêm sendo cuidadas pela ONG ARA.

A medida foi determinada nesta semana pela 1ª Vara da Comarca de Brotas. Além disso, a propriedade também foi bloqueada, ou seja, não poderá ser colocada à venda pelos proprietários sem autorização judicial.

Animais ainda estão em recuperação

De acordo com a advogada da ONG Amor e Respeito aos Animais (ARA), Antília Reis, desde que recebeu a tutela provisória e iniciou a recuperação das búfalas, a organização já gastou cerca de R$ 1,3 milhão.

“Temos pouco dinheiro para manter esses animais que custam R$ 90 mil por mês”, disse a advogada.

A ONG entrou com um pedido na Justiça para que a família proprietária da fazenda arque com parte dos custos.

“O que entendemos é que quem causa os danos da saúde do animal é quem tem que arcar com o tratamento e não terceiros. Não é a ONG, já estamos fazendo o serviço voluntário”, disse Antília.

O aviso foi dado pela própria ONG nas redes sociais, que desde o resgate faz campanhas para arrecadar recursos financeiros destinados aos cuidados dos animais.

Com a decisão, a fazenda deve pagar, a partir de julho, R$ 55 mil todos os meses para a recuperação dos animais, sob pena de multa diária de R$ 1 mil caso desrespeitem a determinação judicial.

Pedido de abate dos animais

No dia 9 de junho, o advogado da fazenda entrou com um pedido na Justiça para a autorização da venda dos animais saudáveis para abate.

A justificativa é que a venda das búfalas ajudaria na recuperação dos outros animais que ainda estão com a saúde debilitada. Segundo o advogado, a família não tem como arcar com os custos de manutenção do rebanho.

“A venda seria para custear a outra parte do rebanho, não tem como manter mais de 1 mil cabeças de búfalas sem realizar a venda, não é sustentável e nem economicamente viável”, disse Luiz Alfredo, advogado da fazenda, em nota.

A defesa da ONG acredita que o pedido é absurdo. “Esses animais não têm valor comercial, estão muito abaixo do peso e não tem capacidade de absorção de nutrientes. É um absurdo, a ONG não cuidou desses animais para serem abatidos, eles terão uma morte digna, sem abate”, disse Antília.

Campanha de arrecadação

A ONG ARA está com uma campanha de arrecadação no Só Vaquinha Boa para ajudar a custear os gastos com alimentação e para a construção de um santuário sustentável, onde as búfalas e os 60 filhotes que nasceram ficarão por anos.

A meta é arrecadar R$ 500 mil. Você pode ajudar doando pela chave PIX -email:

vaquinha-bufalas-brotas@sovaquinhaboa.com.br

E também pode acessar o site do Só Vaquinha Boa para contribuir com outros meios de pagamento. Obrigado!

As búfalas de Brotas foram encontradas passando fome e sede - Foto: ONG ARA

As búfalas de Brotas foram encontradas passando fome e sede – Foto: ONG ARA

Foto: ONG ARA

Foto: ONG ARA